Documentário traz a beleza de Nara Leão para um Brasil que anda muito feio

O Canto Livre de Nara (sem o sobrenome Leão) é o título de um disco que a cantora um dia chamada de Musa da Bossa Nova lançou em 1965. O Canto Livre de Nara Leão (com o sobrenome) é o nome do documentário dirigido por Renato Terra, agora disponível no Globoplay.

São cinco episódios. Juntos, eles somam um pouco mais de três horas. Terra, o diretor, é o mesmo que realizou (com Ricardo Calil) Uma Noite em 67, sobre o festival de MPB que lançou o tropicalismo, e Narciso em Férias (também com Calil), sobre a prisão de Caetano Veloso pela ditadura militar.

O Canto Livre de Nara Leão tem episódios temáticos (Bossa Nova, Opinião, A Banda, etc.) que contam, com extraordinária sensibilidade e rico material de acervo, a história dessa mulher de aparência frágil e atitudes fortes que um dia passou pela música popular brasileira.

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Com sua voz delicada, Nara foi da bossa nova aos standards da música americana revisitados no fim da vida. Fez do jeito que lhe pareceu conveniente, gravou o que quis. Cantou muito Chico Buarque, lançou gente nova, flertou com o tropicalismo e com a jovem guarda, foi engajadíssima. Exerceu a sua liberdade.

Se estivesse viva, Nara Leão faria 80 anos no dia 19 de janeiro. Ela morreu aos 47 anos em junho de 1989. Tinha um tumor no cérebro. O Canto Livre de Nara Leão celebra a música e a vida dessa grande mulher. De alguma maneira, nos devolve a sua beleza num Brasil que anda tão feio ultimamente.