Em Estúpido Cupido, Albuquerque era como centenas de cidadezinhas brasileiras

Albuquerque era uma cidadezinha do interior de São Paulo. Só existia na ficção, claro. Mas era muito parecida com centenas de cidadezinhas brasileiras da época, o início dos anos 1960, o tempo do governo João Goulart, o breve período que antecedeu o início da ditadura militar.

Albuquerque tinha padres e freiras, colégios religiosos, famílias tradicionais, jovens que gostavam de rock e bossa nova, gente que sonhava com o concurso do Banco do Brasil e a escolha da garota mais bonita da cidade. Tinha mocinhos e vilões.

O amor de João e Maria Tereza nasce nesse ambiente. Ele quer mais do que o concurso do Banco do Brasil. Ela é Maria Tereza como a linda primeira dama que o Brasil tinha então.

Recorrendo somente à memória, é mais ou menos assim a sinopse de Estúpido Cupido, clássico da telenovela brasileira. Com texto de Mário Prata, foi ao ar na TV Globo, no horário das sete da noite, entre o segundo semestre de 1976 e o primeiro de 1977.

Foi a última telenovela em preto e branco no horário das sete da noite. A transição para a cor foi feita no último capítulo. A trama deu um salto no tempo e, para encanto do telespectador, mudou do preto e branco para o colorido.

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Estúpido Cupido, intencionalmente, misturou ficção e realidade no dia em que tirou Celly Campello do seu refúgio – a cantora abandonara a carreira – para que ela cantasse, num baile em Albuquerque, o hit que a transformara numa estrela da música jovem brasileira no início dos anos 1960 e que, em 1976, dera título à trama de Mário Prata.

Mas houve também uma coincidência infeliz com a novela ainda no ar. No sábado 22 de janeiro de 1977, aos 40 anos, Maysa morreu num acidente de carro na ponte Rio-Niterói. Maysa – logo ela, que cantava Meu Mundo Caiu na trilha de Estúpido Cupido.

Essas lembranças me ocorrem agora por causa de Françoise Forton, que morreu neste domingo (16) aos 64 anos. Ela foi a Maria Tereza de Estúpido Cupido.