O Brasil não merece o Brasil, esse país em permanente transe

Martin Scorsese, um dos mais importantes cineastas do mundo, preside a Film Foundation. A fundação vai disponibilizar em streaming quase 50 filmes restaurados. Entre eles, está Terra em Transe, do brasileiro Glauber Rocha, de quem Scorsese é grande admirador.

Martin Scorsese é um americano de origem italiana, daí, certamente, o seu interesse pelo cinema do mundo, não só o dos Estados Unidos. Nesse seu “mundo” cinematográfico cabem muitos países. A Itália, naturalmente, em primeiro lugar, mas o Brasil também.

Terra em Transe é o mais importante filme político realizado no Brasil. Unidos em Glauber Rocha, o gênio do construtor e o mito do demolidor gestaram um filme que fala das nossas questões cruciais. Falava em 1967. Continua falando agora, quando já estamos há 55 anos da sua realização.

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Esquerda, direita, populismo, messianismo, o papel dos intelectuais, o povo, a desigualdade, o autoritarismo, o nosso destino enquanto Nação. Está tudo em Terra em Transe, que é, ainda, absolutamente devastador como delírio estético do seu realizador.

Os brasileiros deviam ver Terra em Transe. Sobretudo garotas e garotos da nova geração. Sabemos que não veem. Imaginem Terra em Transe exibido e debatido nas escolas. Um debate que funde o Eldorado (país imaginário) do filme com o Brasil de 2022, de Bolsonaro. Seria incrível!

Tristemente, o Brasil não merece o Brasil. Por isso, não conhece e não discute seus criadores. E, mais tristemente ainda, vive em permanente transe.

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Eldorado é aqui!

Fecho com uma das sequências mais fortes de Terra em Transe.