Estou com Lula e não abro! Às vezes, o politicamente correto é mesmo muito chato!

Não gosto de piadas machistas, num tempo em que temos a tão significativa e difícil luta das feministas. Nem as racistas, num país racista como é o Brasil. Muito menos as homofóbicas, quando sabemos dos preconceitos e da violência que enfrentam os que se enquadram na sigla LGBTQIA+.

Não gosto de contar, nem acho graça nelas. Lembro que algumas vezes, na redação, critiquei duramente um amigo querido que gostava dessas piadas. Ele não só assimilou a crítica, como me revelou que tive a aprovação da sua mulher e da sua filha.

Abominar essas piadas não significa, no entanto, minha adesão cega ao politicamente correto. Não! O politicamente correto em excesso torna o mundo ainda mais chato, ainda mais insuportável. Separa as pessoas. Impede que elas vejam que você não é inimigo, mas aliado.

Escrevo sobre esse tema a propósito de uma fala do ex-presidente Lula. Está no noticiário desta quarta-feira (27). O mundo, segundo ele, “está chato pra cacete” – li assim mesmo na Folha.

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“Se você quer dar risada é nesses programas de humorismo chatos pra cacete na televisão” – também li assim mesmo na matéria da Folha.

Numa conversa com jornalistas e youtubers, Lula defendeu que o mundo não seja unipolar. E confessou, ele que é nordestino, que gosta de piadas sobre nordestinos. Ele gosta de rir com elas ao ouvi-las e de provocar risos ao contá-las.

Claro que, no meio de uma campanha eleitoral, há algum risco nas declarações de Lula. Mas ele é um homem do povo e, como tal, conhece a alma do povo. Prestei muita atenção no que Lula disse e, nesse quesito, estou com ele e não abro.