A cinco meses da eleição presidencial, a democracia brasileira está desmoralizada

TSE – Tribunal Superior Eleitoral Urna eletrônica

No dia dois de outubro, os brasileiros vão às urnas no primeiro turno da eleição presidencial. Nesta segunda-feira, dois de maio, estamos, portanto, a cinco meses de um momento crucial da nossa história republicana.

Vendo, neste domingo, as comemorações do primeiro de maio, foi fácil perceber o quão desolador é o cenário. De um lado, há o presidente Bolsonaro e seus aliados em inaceitáveis demonstrações de afronta à democracia.

Do outro lado, há o ex-presidente Lula. Ele joga o jogo democrático, sempre jogou, mas penso que somente uma frente ampla asseguraria a sua vitória e a governabilidade. Será muito difícil formar essa frente.

Cinco meses antes da eleição, o que parece é que já temos uma antecipação do segundo turno. Todas as pesquisas trazem Lula liderando, na casa dos 40 por cento, e Bolsonaro em segundo lugar, chegando aos 30 pontos. Serão eles, e mais ninguém, os candidatos eleitoralmente viáveis.

Os demais candidatos estão longe dos 10 pontos. Ciro Gomes, que se aproxima e tem um bom diagnóstico dos problemas brasileiros, não consegue domar seu jeito destemperado de ser e se mostra inviável.

Veja também  Com Lula e Janja, o amor venceu. Agora, que vença a Democracia

A terceira via não deu certo. Nem Lula nem Bolsonaro – ainda não apareceu um candidato para desempenhar esse papel de forma convincente. Na minha memória, terceira via remete aos anos 1980: num mundo dividido entre capitalistas e socialistas, o que se buscava era um modelo que reunisse os aspectos positivos dos dois lados.

E há as grandes e inquietantes interrogações. As Forças Armadas tentarão intervir no processo eleitoral? Bolsonaro tentará o golpe antes da eleição? Bolsonaro tentará o golpe se não for reeleito? Bolsonaro tentará se perpetuar no poder se conquistar um segundo mandato?

Só a cogitação de que pode haver um golpe já demonstra que estamos muito mal. O Brasil raras vezes precisou tanto dos que acreditam na democracia. A nossa democracia não acabou, mas está desmoralizada.