Ivete Sangalo, 50 anos. Veveta é grande fazendo o que ela faz. Ou alguém duvida?

Ivete Sangalo faz 50 anos nesta sexta-feira (27). A comemoração será com um show hoje à noite em Juazeiro, na Bahia, onde a cantora nasceu. O show, que faz parte da turnê Tudo Colorido, será transmitido ao vivo pela TV Globo logo após a novela Pantanal e também pelo canal Multishow.

Ivete Sangalo. Uma menina de Juazeiro, a cidade baiana onde nasceu João Gilberto. Ivete Sangalo, de Juazeiro para Salvador. O pai morreu cedo. A família pobre. Uma luta danada pela sobrevivência. Ivete Sangalo, que já cantava desde quando era garota, começa a cantar na noite.

O resto da história, o Brasil conhece. Banda Eva. Ivete como cantora do grupo. Sucesso absoluto no carnaval da Bahia e nos carnavais fora de época que se espalharam pelo país no auge da axé music. Ivete fora da Banda Eva. Um passo arriscado? Não foi. Em carreira solo, ela se transformou numa das grandes estrelas da música popular brasileira.

Há algo em Ivete Sangalo que me remete a Roberto Carlos. Quero falar um pouco disso. Houve um tempo em que muita gente cobrava algo diferente do Rei. Um disco “fora de série”, para usar a expressão de um crítico de música da época.

Por que Roberto Carlos não sai da zona de conforto para produzir algo que mostre que ele é um grande cantor? – era, imaginem!, o que se perguntava. O artista demorou muito a fazer. Fez o acústico da MTV, fez o show com Caetano Veloso em homenagem a Tom Jobim. Mas nada, como se pretendia, fez crescer a dimensão real dele, que é imensa.

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Creio que ocorre algo assim com Ivete Sangalo. Pelo menos com a Ivete tal como ela é vista pelo chamado público da MPB, um agrupamento de pessoas de gosto elitizado que nunca compreende direito a diversidade da nossa música popular.

Por que Ivete não grava algo “fora de série”, por que ela não sai da zona de conforto? Ora! A cantora já fez um especial na Globo ao lado de Caetano Veloso e Gilberto Gil, cantando um repertório bem diferente do que costuma cantar. O especial virou CD e DVD.

Foi bom? Foi. Mas ela não precisa disso. Ela não precisa provar nada. Ela é grande fazendo o que faz. Já provou tudo fazendo o que faz. Cantando axé music, a música que se consolidou na Bahia a partir de meados dos anos 1980. Cantando durante horas em cima de um trio elétrico. Espalhando alegria.

Alegria. Talvez seja uma palavra boa para a gente usar quando fala sobre Ivete Sangalo. Ou quando ouve Ivete Sangalo. Jorge Ben irradiava uma alegria extraordinária em tempos escuros. Sou contemporâneo. “Alienação”, diziam os patrulheiros de plantão. Que nada! Era Jorge Maravilha, como disse Chico Buarque.

Ivete faz isso. Seja noite ou seja dia. Ela é irresistível. Primeiro, canta muitíssimo bem. Mas muitíssimo mesmo! Depois, tem um domínio absoluto do palco. Como pouca gente tem. E ainda: tem carisma pra dar e vender.

Tire o pé do chão. Ouça. Se você ainda não foi seduzido, se deixe ser, se permita. Ivete Sangalo. Veveta. Parabéns pra ela. Que continue espalhando música e alegria. A gente precisa.