O desaparecimento na Amazônia, os 90 anos de Jânio de Freitas e os repórteres da GloboNews

Jânio de Freitas fez 90 anos na semana passada. Jânio de Freitas é um dos grandes jornalistas brasileiros. Vem de longe. Ele já estava no Jornal do Brasil da histórica reforma gráfica – creio que na segunda metade dos anos 1950 – que revolucionou o nosso jornalismo impresso.

Lembro de Jânio de Freitas de uns 40 anos atrás. Tinha presença marcante naqueles debates dos finais das noites de domingo na Bandeirantes (a emissora paulistana ainda não era chamada de Band). Geralmente, discutiam política e economia no Brasil que caminhava para a redemocratização.

Jânio de Freitas foi perseguido pelo regime militar. As empresas eram impedidas de tê-lo em cargos de chefia. Chegou à Folha no início dos anos 1980 e lá permanece, agora, com um artigo aos domingos. Interessante que o diretor Otávio Frias Filho não gostava muito do que Jânio escrevia, nem Jânio gostava de muita coisa que a Folha fazia. Mas, ponto para a Folha, o jornal nunca pensou em prescindir do seu talento. Nem das suas críticas.

Jânio de Freitas é aquele jornalista que não abre mão de criticar o jornalismo brasileiro. Critica e, quando julga necessário, aponta os erros que, segundo ele, contribuíram com o cenário político que temos hoje no país. Ao mesmo tempo, reconhece a importância do jornalismo e o papel que este desempenha na manutenção da democracia.

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Jânio de Freitas elogiou três jornalistas da GloboNews: André Trigueiro, Marcelo Lins e Natuza Nery, em quem vê uma revelação do jornalismo político. Cito a menção de Jânio a esses três profissionais porque, justo no momento em que escrevia esse texto, vi o extremo cuidado de Trigueiro ao dar uma informação que ainda não havia sido oficialmente confirmada, mas que precisava ser dada: o desfecho triste do desaparecimento do jornalista Dom Phillips e do indigenista Bruno Pereira.

“O polêmico jornalismo brasileiro de TV fez um avanço importante com a ênfase lúcida que os três repórteres/comentaristas ousaram. E também a GloboNews, claro”, escreveu Jânio de Freitas domingo (12) na Folha, referindo-se ao desaparecimento na Amazônia. A crença de Jânio em André, Marcelo e Natuza tem algo de simbólico. É a crença no jornalismo que se faz e está aí para ser feito. Traz esperança em tempo de desesperança.