Lula, Bolsonaro e a ausência nos debates. O que vale para um pode valer para o outro

Em 1982, a volta das eleições dos governadores foi abrilhantada pelos debates entre os candidatos. Melhor ainda em 1989, com o retorno das eleições diretas para presidente. Àquela época, tínhamos o entendimento de que, em nome do respeito à democracia, um candidato não podia faltar a um debate.

Em 1990, para citar um exemplo do qual fui testemunha, Wilson Braga, que disputava o governo da Paraíba, se comprometeu, por escrito, a participar do debate do primeiro turno na TV Cabo Branco. Como achava que estava com a eleição ganha, não participou. Com a eleição perdida, acabou indo ao debate do segundo turno. Foi “triturado” por Ronaldo Cunha Lima, que se elegeu governador.

Em 2010, disputando a reeleição, José Maranhão não quis debater no primeiro turno. Tinha certeza da vitória. A disputa, no entanto, foi para segundo turno, Maranhão entendeu que não podia fugir do debate, mas acabaria derrotado por Ricardo Coutinho.

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É interessante observar como os debates foram deixando de ser um compromisso do candidato com a democracia e se transformaram numa questão de estratégia de campanha. Fui observador privilegiado posto que atuei nos bastidores deles durante muitos anos e testemunhei essa transformação. Ela é boa? Ela é ruim? Diria que é real.

Nesta segunda-feira (13), no G1, Renata Lo Prete deu início a uma série de entrevistas com os candidatos a presidente. O primeiro entrevistado foi Ciro Gomes. Lula e Bolsonaro (Foto/Reprodução) foram convidados, mas, no prazo estabelecido pela produção, não confirmaram presença.

A ausência numa série de entrevistas sugere que os candidatos não devem participar de debates no primeiro turno? Não quero morder a língua, mas sugere, sim. Tanto para Lula quanto para Bolsonaro, a estratégia se sobrepõe à democracia. Nesse quesito, ficam parecidos. Um não pode falar mal do outro. Nem suas militâncias.