Gil Sabino morreu

Morreu Gil Sabino. Tinha a minha idade. Estava prestes a fazer 63 anos. Contava 12 ou 13 quando nos vimos pela primeira vez, em busca das belezas que o telescópio do Observatório Astronômico da Paraíba revelava. Éramos garotos modestos, pobres mesmo. Ele, de Tambiá. Eu, de Jaguaribe.

O Gil Sabino da música, dos discos, das gravadoras, esse chegou mais tarde, perto do final dos anos 1970. Morava naquela rua de um quarteirão só, ao lado de onde seria edificada a TV Cabo Branco, e chegava sempre à redação de A União com as novidades – notícias, discos – da EMI, da qual era representante.

Começava a escrever e a se interessar pela cultura, não apenas pela divulgação dos álbuns da multinacional onde  trabalhava. E se aproximava dos artistas do cast da EMI. Com um deles, Gonzaguinha, fez sólida amizade, que perdurou até a morte do compositor.

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Gil trocou João Pessoa pelo Recife, a EMI pela RCA, e, assim, seguiu na sua luta quase sempre difícil pela sobrevivência. Casou cedo, casou várias vezes, teve três meninas e dois meninos, dos quais se orgulhava imensamente, pelos quais tinha amor incondicional.

Gilvane Sabino. Gil Sabino. Gil. Espírita, amigo solidário. Um cara do bem – é um clichê, mas cabe perfeitamente como definição do que ele era. Gil e a cultura, Gil e seus projetos, Gil e suas esperanças, Gil e seus sonhos. Sonhos que a gente nunca realiza, mas que mantêm as pessoas vivas. Até o dia em que o coração deixa de bater, e os amigos ficam todos como estamos agora. Atônitos diante da morte.