No governo de Lula, Gilberto Gil redimensionou o Ministério da Cultura

Neste post, temos a chegada de Gilberto Gil ao Ministério da Cultura, no governo de Lula. Neste domingo, 26 de junho, Gil faz 80 anos.

Gil começou a década de 1980 como um astro pop. Em 1984, em Raça Humana, direcionou suas antenas para a nova geração do rock brasileiro. Via o jovem Caetano em Cazuza. Se via, jovem, em Herbert Vianna. “Gente estúpida, gente hipócrita”, cantou em Barracos, um pouco mais tarde. E “salve a batina do bispo Tutu”, bradou em Oração pela Libertação da África do Sul. Dia Dorim, Noite Neon, a partir do próprio título, nos lembrava mais uma vez das raízes e antenas. Tentou ser prefeito de Salvador, foi eleito vereador em 1988. Em 1989, engajou-se na campanha de Leonel Brizola à presidência da República. Cedeu o funk O Eterno Deus Mu Dança para o guia eleitoral de Brizola. Terminou os anos 1980 diferente de como começou. Havia se despido dos trajes de astro pop.

Em Parabolicamará (1991), observa uma revolução que estava começando, com as novas tecnologias que entravam em nossas vidas. Em Unplugged (1994), se reconcilia com uma fatia do seu público que rejeitara sua postura a partir de Realce. No duplo Quanta (1997), faz um grande disco às vésperas do limiar da velhice. Numa das faixas, atualiza o primeiro samba. Pelo Telefone agora é Pela Internet. Na primeira década do novo século, presta dois tributos: a Luiz Gonzaga e a Bob Marley. Gonzaga, um rei que inseriu dezenas de canções em nossa memória afetiva. Marley, ídolo pop internacional que Gil apresentou aos brasileiros ao difundir o reggae entre nós.

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Em 1994, usou seu primeiro computador para escrever, na Folha de S. Paulo, o artigo em que defendia a eleição de Fernando Henrique Cardoso. Na mesma edição, como contraponto, Ariano Suassuna defendeu a eleição de Lula. Dois políticos de esquerda disputavam a presidência. Ideológica e esteticamente conservador, Ariano, crítico severo do Tropicalismo, optou por quem estava mais à esquerda. Gil talvez tenha entendido que ainda não era a vez de Lula. Quando, finalmente, o metalúrgico chegou ao poder, em 2002, foi convocado para a equipe de governo. Vozes petistas discordaram, mas ele assumiu o Ministério da Cultura e deu à pasta uma dimensão que esta não conquistara até então. A ida para Brasília o afastou parcialmente dos palcos e dos estúdios. Produziu pouco, perdeu a motivação para compor. A carreira só foi inteiramente retomada quando deixou o cargo, já no segundo mandato de Lula.