Há 40 anos, a Itália de Paolo Rossi mandou o Brasil de volta pra casa. Onde você estava?

Quatro de julho de 1982. Um domingo. Lembro como se fosse hoje. No Fantástico, o clima era de otimismo para o jogo do Brasil com a Itália. A Seleção – diziam – era incrível e, depois das decepções de 1974 e 1978, logo conquistaria o tetra na Copa do Mundo da Espanha.

Cinco de julho, segunda-feira. Perto da hora do almoço, tomei um táxi e fui para a casa onde assistiria ao jogo. O motorista estava eufórico. Tipo “a Itália está no papo”. Nunca gostei desses exageros. Ainda disse que a Itália não era adversário fácil, mas o cara estava convencido da vitória.

O que aconteceu é história. Paolo Rossi fez o primeiro gol da Itália. O Brasil empatou com Sócrates. Rossi fez o segundo gol da Itália, e assim terminou o primeiro tempo. No segundo tempo, veio o empate. Falcão. Rossi, então, marcou o terceiro para a Itália. Por 3 x 2, a Itália despachou o Brasil de Telê Santana.

Meio da tarde de um dia de sol. Voltei para casa caminhando. As ruas estavam vazias. O clima era de velório. Desculpem pelo uso do clichê, mas era assim mesmo. Um silêncio que incomodava. As lojas, que fecharam no final da manhã, reabriam as portas. Vi gente chorando.

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Nesta terça-feira, cinco de julho de 2022, faz 40 anos. É preciso que você tenha, no mínimo, perto de 50 para guardar alguma lembrança daquele dia. Eu tinha 23. Para o vencedor e para o perdedor, foi um jogo histórico. O Brasil de Zico, Sócrates, Falcão, Cerezzo, Júnior, não ganhou a Copa da Espanha.

Há uma lição na derrota de 1982 que nós, brasileiros, não gostamos de enfrentar. É assim com o futebol. É “religioso”. Não tem discussão. A eliminação do Brasil pela Itália fica, então, como uma tragédia nacional. Só sei que foi uma grande experiência ter testemunhado o que aconteceu na tarde daquele cinco de julho, 40 anos atrás.