Como equilibrar as necessidades de Lula com as mágoas de Dilma?

No casamento de Lula e Janja, a ex-presidente Dilma Rousseff não falou com Marta Suplicy. Marta, no episódio do impeachment, não se comportou como alguém que se fez politicamente no PT. Kátia Abreu, que é de direita, foi leal a Dilma. Marta, não.

Dias atrás, o ex-presidente Michel Temer elogiou Dilma Rousseff. Afirmou que ela é honestíssima. Dilma reagiu. Chamou Temer de golpista e disse que a História não perdoa a prática da traição.

À luz das regras do jogo político, do pragmatismo que a política exige, Dilma deveria ter cumprimentado Marta no casamento de Lula e Janja, do mesmo modo que seria esperado dela o perdão a Temer.

Lula está precisando do MDB, e o apoio de Temer já no primeiro turno é importante na sua campanha. O comentário de Temer a respeito de Dilma foi sinalizador de diálogo. A resposta de Dilma atrapalhou as negociações.

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Dilma, de certa forma, já foi “rifada” pela campanha de Lula. A história do chamado golpe de 2016 corre o risco de ser deletada ou reescrita numa – digamos – espécie de “depuração stalinista”.

Leonel Brizola, se vivo fosse, diria que Lula venderá a alma ao diabo para desalojar Jair Bolsonaro do Planalto. Só que a ex-presidente Dilma Rousseff não é de ferro. Não é simples encontrar o ponto de equilíbrio entre o pragmatismo de Lula e as mágoas de Dilma.