Lula é injusto com Lula e com a democracia quando foge das entrevistas e dos debates

Lula representa a democracia? Sim. Jair Bolsonaro representa a democracia? Não. Quem acredita na democracia vota em Bolsonaro? Não. Quem acredita na democracia vota em Lula? Sim, preferencialmente, até porque candidatos como Ciro Gomes e Simone Tebet também representam a democracia. O problema é que não têm se mostrado competitivos.

Essas perguntas, com as devidas respostas, abrem o post para mostrar um pouco da visão do colunista em relação à campanha que vai culminar, em outubro próximo, com a eleição presidencial. Perguntas objetivas com respostas igualmente objetivas.

Quero falar de entrevistas e, sobretudo, de debates. Como profissional de televisão por 25 anos, testemunhei o momento em que estes e aquelas deixaram de ser um compromisso dos candidatos com a democracia e passaram a ser uma estratégia de campanha. É real. É exatamente assim que funciona. Mas, que as ausências, definidas estrategicamente, atentam contra a democracia, atentam, sim.

Vou desenhar. Lula representa a democracia, e Bolsonaro representa o golpismo. A história deles não deixa dúvidas. Está claro? Espero que esteja. Mas isso não me obriga, nem como cidadão nem como jornalista, a defender Lula incondicionalmente. Não vou trocar por estratégia a liberdade que tenho de criticá-lo quando julgar necessário. É o que faço agora em relação às entrevistas e aos debates.

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Bolsonaro está fugindo deles e delas. É convidado e não confirma presença. Já o fez com o G1, com a GloboNews, com a CNN, com a Band. É normal que aja assim? É, para um político com o seu perfil. E, francamente, problema dele. O presidente, defendendo as ideias que defende, não acrescentará absolutamente nada ao debate democrático.

Lula está fugindo das entrevistas e dos debates? Está. Na melhor das hipóteses, está dificultando as coisas. Aliados próximos e marqueteiros devem achar que ele está certo. Ele próprio deve acreditar que sim. Mas está errado. Lula, fugindo de entrevistas e debates, não combina com Lula, com a sua trajetória, com a sua extraordinária inteligência política.

Lula não deveria dizer não ao G1, à GloboNews, à CNN, à Band. Nem dificultar as coisas ao ponto de inviabilizá-las. Ainda há tempo. Lula deveria ocupar bem esses espaços e deixar que Bolsonaro não o faça. Ou que o faça em condições infinitamente inferiores. A ausência de Lula é indefensável. Precisamos reconhecer. Precisamos dizer. A ausência de Lula não faz justiça à democracia que ainda nos resta nem à urgência de sua reconstrução.