SILVIO OSIAS
Carlos Monforte era a cara do Bom Dia Brasil
O jornalista morreu aos 77 anos nesta segunda-feira, 31 de agosto de 2026.
Publicado em 01/09/2026 às 6:00

O Bom Dia Brasil já foi um programa muito diferente do que depois passou a ser e do que é atualmente. A morte de Carlos Monforte me traz algumas lembranças.
Antes, no entanto, aproveito para falar um pouco sobre a experiência local, o Bom Dia Paraíba, o programa que a TV Cabo Branco exibiu a partir de 1987.
Muita gente não sabe. Em janeiro de 1987, quando a TV Cabo Branco entrou no ar em caráter definitivo, as emissoras não eram obrigadas a ter o Bom Dia local.
A Globo Nordeste, no Recife, ainda não tinha. A TV Cabo Branco começou a produzir o programa já em fevereiro de 1987, apresentado por Aldo Schueler.
Era, basicamente, um programa de entrevistas. Três blocos, três entrevistas no estúdio. No início, as entrevistas eram gravadas na véspera, no final da noite.
Nonato Guedes (apresentador e entrevistador), Otinaldo Lourenço (entrevistador) e Beth Menezes (apresentadora) marcaram os primeiros anos do Bom Dia Paraíba.
O Bom Dia Paraíba durava meia hora. Começava às sete e meia e terminava às oito horas. Seguia um formato totalmente inspirado no Bom Dia Brasil.
O Bom Dia Brasil que Carlos Monforte ancorava quatro décadas atrás também tinha a duração de meia hora. Começava às sete horas e terminava às sete e meia.
Das sete e meia às oito, a Globo reprisava o Bom Dia Brasil. Era uma alternativa que a rede oferecia às emissoras que ainda não faziam o Bom Dia local.
O Bom Dia Brasil também era basicamente um programa de entrevistas. Três blocos, três entrevistas. Só que elas não eram gravadas, e, sim, feitas ao vivo.
O Bom Dia Brasil era apresentado de Brasília. Garantir a presença dos entrevistados no estúdio era um sofrimento que a equipe de produção enfrentava todos os dias.
Carlos Monforte, por muito tempo, foi a cara do Bom Dia Brasil. Pioneiro como âncora, comandou o programa matinal da Globo por nove anos, de 1983 a 1992.
Guardo na memória afetiva algumas edições. A da segunda-feira 28 de novembro de 1983, por exemplo, registrava, com emoção, a morte do senador Teotônio Vilela.
Teotônio Vilela, o menestrel das Alagoas, senador que lutou pela redemocratização e morreu antes dela, vencido por um câncer que enfrentou bravamente.
Carlos Monforte chorou - ou segurou o choro - no final da edição da segunda-feira 22 de abril de 1985, horas depois da morte do presidente Tancredo Neves.
Foi um desabafo, ele revelou anos mais tarde numa entrevista à Globo. O choro de Monforte era, na verdade, expressão da tristeza de milhões de brasileiros.
O Bom Dia Brasil da década de 1980 está para sempre associado ao rosto de Carlos Monforte e ao seu modo tranquilo e muito seguro de apresentar o programa.
Nascido em Santos, em 1949, Carlos Monforte passou dos jornais impressos para a televisão. Depois, na Globo, migrou da reportagem para a apresentação.
De 1996 a 2011, o Bom Dia Brasil foi ancorado por Renato Machado. Monforte e Machado são, para mim, as duas grandes caras do Bom Dia Brasil.
Renato Machado morreu em 16 de julho de 2026, aos 83 anos. Carlos Monforte morreu nesta segunda-feira, 31 de agosto de 2026. Tinha câncer e estava com 77 anos.

Comentários