Sarah Vaughan nasceu há 100 anos. Diva do jazz amava a música popular brasileira

Nesta quarta-feira, 27 de março de 2024, faz 100 anos que Sarah Vaughan nasceu em Nova Jersey, na região metropolitana de Nova York. Quando morreu de câncer no pulmão, em abril de 1990, tinha acabado de completar 66 anos e estava em plena atividade, gravando e fazendo turnês pelo mundo.

Se pensarmos numa hierarquia das cantoras de jazz, Billie Holiday e Ella Fitzgerald sempre aparecem no topo. Billie seguida de Ella ou Ella seguida de Billie – é difícil dizer. Depois vem Sarah Vaughan. Ocupa, portanto, lugar de grande destaque.

Sassy. Assim era chamada. Sassy – no século XX, que foi o século do jazz, uma das vozes mais belas da música popular do mundo inteiro. As notas graves, a técnica e a emoção, o domínio absoluto do scat (que Ella também tinha, e Billie, não), a linguagem do Bebop transposta para o canto.

Sarah aprendeu a cantar na Igreja Batista que frequentava desde a infância. Tinha 20 anos quando, em 1944, gravou A Night in Tunisia. A melodia composta por Dizzy Gillpespie, fundador e mestre do Bebop, se transformou num standard da música americana, um clássico do jazz.

No começo, em 1943, 1944, na banda de Earl Hines, dividia os vocais com Billy Eckstine, extraordinário barítono. Imaginem: uma orquestra que tinha como crooners Sarah Vaughan e Billy Eckstine. Só mesmo no mundo do jazz.

Começou a atuar sozinha por volta de 1945. Foi no cast da Columbia, no final dos anos 1940, que se tornou uma estrela. Cantava jazz e baladas comerciais, um pop de altíssima qualidade. Em 1955, já na Mercury, gravou um disco histórico com o trompetista Clifford Brown, que morreria logo depois aos 25 anos.

A voz de Sassy está associada à sua versão de Tenderly. Também à de Body and Soul. Mas, se há uma canção que representa a presença de Sarah Vaughan na música popular do seu tempo, esta se chama Send in the Clowns, de Stephen Sondheim.

Sarah Vaughan amava a música popular brasileira. Amava com tal intensidade que gravou alguns discos inteiramente dedicados a compositores como Dorival Caymmi, Tom Jobim, Marcos Valle, Edu Lobo e Milton Nascimento.

Sarah Vaughan nasceu há 100 anos. Diva do jazz amava a música popular brasileira

Entre os discos nos quais se debruçou sobre a música do Brasil, o mais importante é O Som Brasileiro de Sarah Vaughan. Foi gravado em 1978 e produzido por Aloysio de Oliveira e Durval Ferreira, dois nomes associados à Bossa Nova. Aloysio, em particular, uma figura lendária da Bossa e da produção de discos.

O Som Brasileiro de Sarah Vaughan tem o Tom Jobim de Triste e Se Todos Fossem Iguais a Você, o Dorival Caymmi de Das Rosas, o Marcos Valle de Preciso Aprender a Ser Só e o Milton Nascimento de Courage e Travessia.

O Som Brasileiro de Sarah Vaughan é clássico do jazz e da música brasileira. É retrato do encontro do jazz com a música brasileira. E é motivo de orgulho para nós porque faz parte da história de uma das grandes vozes que o mundo conheceu no século XX. Sigamos ouvindo Sassy.