Polo cimenteiro da Paraíba pode levar mais de 3 anos para ser implantado

Quatro unidades estão funcionando, mas duas só existem no papel, deixando de investir R$ 1,2 bilhão no Estado.

A conclusão do polo cimenteiro da Paraíba, com as seis fábricas anunciadas pelo Governo do Estado e que elevaria a produção de cimento para 10 milhões de toneladas ao ano, pode levar mais de três anos. Quatro unidades estão funcionando, mas duas só existem no papel, deixando de investir R$ 1,2 bilhão no Estado e de gerar mais de dois mil empregos. As empresas  mantêm seus projetos em análise, avaliando o mercado perante a recessão econômica nacional. Enquanto isto, a Paraíba não alcançou o posto de segundo maior produtor de cimento do país.

A última matéria da série “Sai do Papel?”, realizada pelo JORNAL DA PARAÍBA e as empresas que compõem a Rede Paraíba de Comunicação desde o último domingo, evidencia o atraso das  fábricas das empresas InterCement e Votorantim, em um contexto em que a produção de cimento dobrou, o mercado imobiliário teve queda de 1,56% no volume de vendas, em 2015, e as receitas do Estado e dos municípios enfrentam a queda dos repasses dos fundos de participação pelo Governo Federal, impactando na realização de obras.

A InterCement assinou um protocolo de intenções com o Governo da Paraíba, em 1º de setembro de 2014, para instalar uma fábrica no Conde, mas nada foi realizado até agora. A partir de um cruzamento de dados, a reportagem estima que o investimento seria de R$ 400 milhões, com geração de mais de 400 empregos. Em nota, a assessoria da empresa afirmou que “todo e qualquer projeto de expansão de cimento entrou em avaliação, dentro da estratégia de disciplina de alocação de capital e ajuste à demanda local”.

Já a Votorantim disse: “Nossos planos de expansão estão determinados e iremos executar no momento adequado”. Os investimentos previstos para a empresa são ainda maiores que o da Intercement. Na época da assinatura do protocolo de intenções, firmado em 19 de maio de 2014, o projeto previsto era de R$ 800 milhões e a criação de 1.700 empregos.

De acordo com a presidente da Companhia de Desenvolvimento da Paraíba (Cinep), Tatiana Domiciano, as fábricas têm o prazo de 36 meses para se instalar, contados após o recebimento das licenças ambientais. Segundo a Cinep, a  capacidade produtiva atual da Paraíba é de 5,5 milhões de toneladas ao ano. O setor mobiliza dois mil empregos entre diretos e indiretos. As unidades fabris em funcionamento são: InterCement (João Pessoa), Lafarge (Caaporã), Brennand (Pitimbu) e Elizabeth (Conde).