Empreendedorismo feminino e empoderamento ajudam mulheres a conquistar espaço no meio rural

Nesta sexta-feira (15), é celebrado o Dia Internacional das Mulheres Rurais.

Etiene é agricultora e participa regularmente de uma feira orgânica no bairro do Bessa, em João Pessoa – Foto: Etiene Cândido/Arquivo Pessoal

Etiene Ferreira Nascimento Cândido, 39 anos, é um exemplo de empreendedorismo rural e persistência. Agricultora, ela participa de uma feira orgânica, em João Pessoa, e faz parte de um grupo de agricultores que produzem e comercializam alimentos orgânicos na capital paraibana.

Toda quarta e sábado, Etiene está presente na feira orgânica, que fica localizada no Bessa, junto a outros agricultores comercializando os produtos orgânicos, que são plantados e colhidos por pessoas que fazem parte de um assentamento na zona rural de Pitimbu, no Litoral Sul da Paraíba.

Etiene é uma das mulheres que participam da comercialização na feira orgânica e comenta que trabalha diretamente do plantio a comercialização dos produtos que são vendidos nessa feira orgânica.

“Tenho toda a relação com o processo rural, desde o plantio, cuidado diário com as plantações, a colheita e as vendas dos alimentos”, comenta a agricultora.

Etiene participando da colheita de alimentos – Foto: Etiene Cândido/Arquivo Pessoal

Etiene é uma das centenas de mulheres que trabalham com a produção agrícola/rural. De acordo com o Censo Agropecuário de 2017, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 17% dos estabelecimentos agropecuários eram geridos por mulheres. Nesta sexta-feira (15), é celebrado o Dia Internacional das Mulheres Rurais, e é uma data para relembrar o papel da mulher no trabalho do campo e reforçar a luta por igualdade e reconhecimento delas.

“As mulheres do campo precisam ser mais reconhecidas, com benefícios e proteção rural” – disse Etiene.

Adriana Galvão Freire, assessora das mulheres da AS-PTA – Agricultura Familiar e Agropecuária do Polo da Borborema, explica que, historicamente, o papel da mulher é preponderante no círculo agrícola e que as mulheres detém de um conhecimento ímpar que as ajuda a conquistar conhecimento das ferramentas que dominam.

“As mulheres têm um papel fundamental no desenvolvimento da agricultura, desde a origem dessa atividade como tal. São as mulheres que, pela observação da natureza, fizeram os primeiros cultivos e foram selecionando aquelas espécies, que hoje utilizamos como alimento. E trazendo para os dias de hoje, as mulheres ainda ocupam um papel determinante dentro de uma propriedade rural. Elas mantêm sob seu domínio uma quantidade muito grande de conhecimento e uma gestão fina dos recursos disponíveis para a manutenção da vida”, explica.

Mulheres participando da plantação em um roçado – Foto: Adriana Galvão/Arquivo Pessoal

“A mulher rural desenvolve um trabalho na centralidade da agricultura”, enfatiza Adriana.

Apesar disso, o ambiente rural, assim como os demais, ainda é de desafios para as mulheres. Não no aspecto produtivo, mas na luta pela igualdade de gênero e na quebra do patriarcado e na erradicação do machismo que, no campo, ainda é enraizado. Cuidar dos animais, do cultivo do roçado, cuidar do almoço da casa e dar conta dos filhos ainda é algo predominante para a figura feminina para a população da zona rural, mas com a integração cidade-campo, o conhecimento está sendo levado para os ambientes familiares e as mulheres estão buscando maior espaço na liderança de seus espaços – algo que no passado recente era ocupado por homens.

“Começamos a desnaturalizar algumas questões que traziam a condição de subordinação das mulheres, foi aí que nasceu a marcha pela vida das mulheres e pela agroecologia, e toda luta gira em torno da desconstrução do patriarcado, do enfrentamento ao machismo e também do apontamento da agroecologia como um modelo de desenvolvimento capaz de construímos um modelo de vida para essas famílias”, disse Adriana.

“Quando as mulheres se apropriam do entendimento da sua capacidade, do seu papel na agricultura,  a mulher também vai levando esses desafios para outros espaços. Começamos a perceber que as mulheres começaram a assumir a gestão de espaços coletivos, suas associações, os bancos de sementes comunitários, os fundos rotativos comunitários, mas também ocupar direções em seus sindicatos”, completou.

Mulher cuidando dos animais no espaço de casa – Foto: Adriana Galvão/Arquivo Pessoal

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Acompanhamento governamental

A Empresa Paraibana de Pesquisa, Extensão Rural e Regularização Fundiária (Empaer-PB) também busca beneficiar o trabalho das mulheres rurais. O órgão busca promover ações para beneficiar as famílias rurais e, especificamente para as mulheres, busca capacitá-las e promover o protagonismo delas no processo produtivo rural.

“Na medida do possível, tentamos apoiá-las, trabalhando com reuniões online, tirando suas dúvidas de acordo com suas necessidades, e incentivamos a participação das mesmas nas associações, oficinas, incentivando-as para que elas possam adquirir conhecimento e contribuir no desenvolvimento na área agrícola, pecuária e artesanato”, explicou Maria de Lourdes Farias da Silva, extensionista e participante da Equipe Social da Empaer Regional de Campina Grande

Maria de Lourdes ainda destaca que a Empaer-PB reconhece a força da mulher rural e que o papel dela no segmento, seja rural ou urbano, é primordial.

*Sob supervisão de Jhonathan Oliveira