Maioria na população da Paraíba, mulheres ocupam menos postos de trabalho

No Dia Internacional da Não-Violência Contra a Mulher, pesquisadora relaciona dependência econômica das mulheres à violência doméstica.

Mulheres ocupam menos postos de trabalho na PB. Foto: Agência Brasil

O Dia Internacional da Não-Violência Contra a Mulher é celebrado nesta quinta-feira (25). De acordo com um relatório do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, publicado em 2021, uma em cada quatro mulheres brasileiras afirma ter sofrido violência física, psicológica ou sexual em 2020. Desemprego e aumento do estresse em casa durante a pandemia foram relatados pelas entrevistadas. Na Paraíba, mesmo sendo maioria na população acima de 14 anos, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o saldo de mulheres ocupadas é menor do que o dos homens.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população da Paraíba maior de 14 anos em 2020 era de 1.526.000 homens e 1.692.000 mulheres. Apesar de serem maioria no estado, em 2020, ano de referência dos dados da população paraibana do IBGE, bem como do relatório do Fórum Nacional de Segurança Pública, conforme o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), o saldo de mulheres ocupando postos de trabalho na Paraíba, cálculo feito a partir da quantidade de admissões e desligamentos, foi negativo, com 1.324 postos a menos ocupados por elas. Já o saldo em 2020 para os homens foi de 5.541.

 

Saldo de empregos na Paraíba em 2020
Saldo de empregos na Paraíba em 2020.
Foto: Reprodução/Caged

Em 2021, a situação melhorou, contudo o saldo de postos de trabalho até setembro, quando o último relatório do Caged foi lançado, ainda é menor entre as mulheres, com 9.660. Já o saldo para os homens é de 14.896.

Saldo de empregos na PB, até setembro de 2021
Saldo de empregos na PB, até setembro de 2021.
Foto: Reprodução/Caged

Mulheres vítimas de violência e do desemprego

O relatório “Visível e Invisível: a vitimização de mulheres no Brasil”, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, dentre as mulheres que afirmaram ter passado por algum tipo de violência, 61,8% relataram diminuição na renda familiar neste período e 46,7% dessas vítimas perderam o emprego. Já dentre aquelas que relataram não ter sofrido violência, a taxa de desemprego foi de 29,5%.

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Para a professora e pesquisadora de gênero, Glória Rabay, a falta de inserção das mulheres no mercado de trabalho gera dependência financeira e se relaciona diretamente à violência doméstica.

“A relação entre violência doméstica e dependência econômica das mulheres é direta. Apesar de não ser o único fator, porque há também a dependência emocional, faz com que muitas vezes a mulher permaneça em um lar violento, em um casamento violento”, explicou ela.

As mulheres entrevistadas pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública relataram níveis mais altos de estresse por causa da pandemia – 50,9% em comparação com 37,2% dos homens. O relatório mostra também que as mulheres permaneceram mais tempo em casa e cita como provável justificativa papéis de gênero que historicamente desempenham às mulheres o cuidado com o lar e os filhos, “o que aumenta a sobrecarga feminina com o trabalho doméstico e com a família”.

Para a pesquisadora, a solução desse problema vem a longo prazo vem por meio do debate sobre os papéis de gênero historicamente impostos que distanciam sobrecarregam as mulheres com responsabilidades familiares.

“No quesito economia, as mulheres ainda estão em desigualdade. Mesmo aquelas com formação, muitas delas trabalham e recebem menos do que os homens e não conseguem chegar ao topo de suas carreiras, em função das responsabilidades familiares que carregam. A longo prazo, precisamos de políticas que estimulem um debate justo e honesto sobre a desigualdade que foi imposta socialmente”, afirmou.

A curto prazo, Glória Rabay ressalta a importância de cursos de capacitação e geração de renda para as mulheres vítimas de violência.