Merendeiras denunciam falta de alimentos em creches e escolas de Campina Grande

De acordo com a denúncia, os alimentos não estão sendo mandados para escolas e creches, pelos fornecedores, desde o dia 19 de novembro.

Divulgação/Sintab

Merendeiras de escolas municipais de Campina Grande, no Agreste da Paraíba, denunciaram a falta de alimentos para os alunos, que já estão assistindo aulas presenciais. Em vídeos, disponibilizados pelo Sindicato dos Trabalhadores Públicos Municipais do Agreste e Borborema (Sintab), é possível observar que geladeiras, em algumas escolas da cidade, estavam vazias, faltando alimentos básicos para refeição dos estudantes.

Nas imagens, as merendeiras abrem as geladeiras e mostram que todos os compartimentos estão vazios. Em algumas outras imagens, aparecem alimentos, mas em pouca quantidade. Além das geladeiras, armários e dispensas aparecem sem nenhum alimento.

De acordo com a denúncia, os alimentos não estão sendo mandados para escolas e creches pelos fornecedores, que têm contrato com a Secretaria de Educação da cidade, desde o dia 19 de novembro. Por causa disso, os alunos estavam sendo liberados mais cedo, pois não tinham comida para se alimentar.

De acordo com o Conselho de Alimentação Escolar de Campina Grande, a denúncia não é pontual, levando em consideração que várias escolas mandaram vídeos com situações semelhantes.

Merendeiras denunciam falta de alimentos em escolas da rede municipal, em Campina Grande
Divulgação/Sintab

Segundo a denúncia, uma das creches que está nessa situação é a Maria Emília Pedrosa, no bairro do Araxá, que está a 26 dias sem nenhum tipo de carne, a 20 dias sem verdura e desde a semana passada está sem receber itens essenciais como arroz e outros cereais. A creche Alcides Cartaxo, no bairro do Cinza, está desde o dia 26 de outubro sem receber carnes, verduras, grãos e leite.

O Ministério Público da Paraíba (MPPB) se reuniu em uma audiência com a Procuradoria Geral de Campina Grande e com a Secretaria de Educação do município, nesta terça-feira (30) para discutir o assunto.

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Sobre a denúncia, o Secretário de Educação de Campina Grande, Raymundo Asfora Neto, informou que uma das empresas fornecedoras atrasou o prazo da entrega dos alimentos.

“Ela [a empresa] desobedeceu a ordem de funcionamento. Após isso, a gente tomou conhecimento de uma declaração de inidoneidade. Ou seja, a empresa não é idônea de contrato com o poder público”, informou o secretário.

De acordo com Asfora, as medidas a serem tomadas são: a extinção do contrato com os fornecedores e um chamamento dos segundos colocados da licitação de alimentação.

“Se isso não for o suficiente, a gente vai fazer um contrato emergencial, para contemplar o restante do ano letivo”, ressaltou.

Enquanto as medidas emergenciais não acontecem, ainda falta alimento para os alunos de escolas e creches, que já estão assistindo aulas de forma presencial. Em relação a esse cenário, especificamente, o secretário informou que existem outros fornecedores de agricultura familiar que podem ajudar.

“Eles fornecem macaxeira, melancia, abacaxi, ovo, sorda”, falou o secretário

A previsão da secretária é para que a situação seja amenizada na próxima semana, que começa no dia 6, com a chegada de cereais e alimentos essenciais, como feijão, arroz e macarrão.

Denúncia de carnes com embalagens trocadas

Em outubro deste ano, algumas merendeiras já haviam denunciado fraudes nas carnes que eram oferecidas para os alunos, nas escolas municipais de Campina Grande. Elas informaram que perceberam a irregularidade após fazer uma análise mais cuidadosa nas embalagens da carnes. O produto trazia adesivo com identificação de corte mais caro, mas por baixo tinha o nome do verdadeiro corte da carne, que é mais barato.

Por causa da denúncia da carne, após investigações, a Secretaria de Educação de Campina Grande cancelou o contrato com os fornecedores, segundo o secretário Raymundo Asfora Neto.

*Com colaboração de Amy Nascimento