Entre Linhas

Análise: falha contra o Ituano não é fato isolado; Botafogo-PB acumula erros cruciais na Série C

Apesar do bom desempenho da defesa, o Belo perdeu jogos e pontos ao longo da disputa por conta de deslizes técnicos; time repetiu a dose na estreia do quadrangular.

Foto: Guilherme Drovas / Botafogo-PB

No futebol, a vitória é sempre o melhor motivo para impor qualquer tipo de mínimo temor aos adversários. Mas, no Botafogo-PB, quando ela não aconteceu, ao longo da Série C do Brasileiro, muitas vezes veio acompanhada de um lamento por um lance que poderia ter sido evitado, que resultou num gol que vetou um resultado positivo. Um exemplo prático aconteceu no último sábado, quando o Belo perdeu para o Ituano após uma má saída do goleiro Felipe, que resultou na derrota para o Ituano, pela primeira rodada do Grupo C do quadrangular final da Terceirona.

Não há dúvida de que o sistema defensivo é o ponto mais alto da temporada do Belo. O Alvinegro da Estrela Vermelha sofreu apenas 12 gols em 19 partidas na Série C. Para além do número baixo de gols sofridos, o desempenho, em grande parte do torneio nacional, foi indiscutivelmente convincente. No entanto, foi também por lá que o time deixou escapar a oportunidade de se tornar ainda mais forte na competição. E essa fortaleza, no atual momento da disputa, só pode ser erguida com pouca margem para erros, consistência e, sobretudo, conquista de vitórias.

Contra o Galo de Itu ou contra o Santa Cruz, frente ao Tombense ou Volta Redonda, o Botafogo-PB se apresentou com a mesma obediência defensiva que o levou à disputa da fase final da competição. No último sábado, o clube da Maravilha do Contorno não corria riscos diante dos paulistas. Até que saísse o lance que definiu a vitória do seu adversário, o Belo foi a equipe que tinha chegado mais perto de marcar. E isso não quer dizer que o time de Gerson Gusmão sobrava no duelo. Pelo contrário.

Mas aí, aos 12 minutos da etapa final, Pacheco fez o levantamento na área e buscou Igor Henrique, que tinha certa liberdade dentro da área. Felipe saiu de sua meta, errou o tempo de bola e trombou com o camisa 8 do Ituano. A redonda, porém, tocou na cabeça do jogador do Itu, morreu nas redes do Belo e decretou a primeira derrota do clube pessoense no quadrangular da Série C do Brasileiro.

Rhuan, Felipe, goleiros Botafogo-PB
Assim como Felipe, Rhuan também teve contribuição negativa e direta em alguns resultados do Belo na Série C (Foto: Guilherme Drovas / Botafogo-PB)

Antes do experiente goleiro, alguns outros lances foram cruciais e resultaram em gols contra o Botafogo-PB. Relembre:

Rhuan (nos jogos contra Volta Redonda e Tombense)

Então substituto imediato de Felipe, Rhuan fez a sua estreia na rodada #3 da Série C do Brasileiro. O adversário era o Volta Redonda. No Almeidão, o goleiro não respondeu à altura da responsabilidade em substituir o experiente arqueiro e capitão da equipe e entregou uma atuação que deixou muito a desejar na derrota alvinegra. No primeiro gol do Voltaço, MV avançou pela direita, deixou Tsunami, que dormiu na jogada, para trás, invadiu a área pela direita e finalizou. O chute foi devagar, defensável, mas o goleiro caiu para o outro lado e aceitou.

O arqueiro recebeu mais duas oportunidades, contra Floresta — onde foi determinante para que o resultado acabasse igualado sem gols, fora de casa — e Altos. No entanto, diante do Tombense, em Tombos, não teve jeito. Já no segundo tempo, o goleiro recebeu a bola na área, sem pressão alguma. Só que um domínio errado acabou entregando a bola de bandeja para Jean Lucas, que cercava o lance e tirou proveito. Ele dominou já tirando Rhuan, empurrou a pelota para o gol vazio e ampliou o placar os mineiros, que já venciam com um gol de falta, do mesmo autor.

Lucas (diante do Manaus)

Vindo do Salgueiro, o também goleiro Lucas chegou ao clube logo depois do duelo em que o Botafogo-PB saiu derrotado para o Volta Redonda. Coincidência ou não, ele precisou esperar alguns jogos para poder ganhar uma oportunidade debaixo das traves. Depois de três rodadas, após o revés contra o Tombense, o jovem arqueiro ganhou uma oportunidade de atuar contra o Manaus. E teve sorte de estrear em uma noite inspirada coletivamente de seus companheiros, que, junto a ele, ajudaram o Alvinegro a construir o resultado de 4 a 1 contra os manauaras.

Mas, antes de respirar aliviado após os três pontos e a liderança reconquistada àquele instante, Lucas precisou digerir uma falha bizarra. No cruzamento de Dudu Mandai na área botafoguense, ele foi dar um soco na bola, não acertou nada e assistiu Edvan empurrar a bola para as redes do jeito que deu.

Apesar da falha, Gerson Gusmão, assim como fez com Rhuan, deu sequência ao goleiro, que foi fundamental em muitos pontos conquistados pelo Botafogo-PB ao longo da primeira fase, e até fez com que Felipe, mesmo 100% recuperado, esperasse um pouco mais para voltar a assumir a titularidade.

Goleiro Foto: Guilherme Drovas / Botafogo-PB

Willian Machado (no duelo contra o Santa Cruz)

Nem mesmo Willian Machado passou batido no filtro dos deslizes na disputa da Série C do Brasileiro. A pompa dada ao zagueiro botafoguense fica por conta de uma temporada para lá de positiva, quase impecável no sistema defensivo. Para além da regularidade, um fato que diz muito: o zagueiro nunca sentou no banco de reservas ao longo dos inúmeros jogos já disputados em 2021. Seja no Campeonato Paraibano, na Copa do Nordeste ou na Terceirona, o camisa 4 se tornou peça fundamental no plantel.

Contudo, a última rodada primeira fase reservou uma falha crucial do zagueiro. Isso porque, contra o Santa Cruz, na Arena Pernambuco, ele foi tentar dominar a bola, deixou ela escapar e cedeu a posse para Lelê, que foi até a linha de fundo, cruzou para trás. Léo Gaúcho fez o pivô e deixou fácil para que Eduardo fuzilasse as redes de Felipe. Naquele momento, a tensão foi até um pouco maior, já que o Belo, apesar de depender de si para se classificar, não podia dar tanta brecha para os seus concorrentes na tabela. O desfecho, porém, foi feliz, já que, ao apital, o Alvinegro da Estrela Vermelha conseguiu conquistar o objetivo da classificação para o quadrangular final.

Entre erros, acertos e até mesmo uma classificação que foi conquistada além das expectativas — ainda lá no início da disputa da Terceirona, quando o clube ainda tentava digerir a dolorosa eliminação no Campeonato Paraibano — o Botafogo-PB vive o momento mais esperado dos últimos anos, desde a final da Copa do Nordeste — em termos de bons feitos dentro de campo. Mas, para que isso aconteça, Gerson Gusmão vai precisar extrair inspiração em busca de uma melhor organização ofensiva, mais preciosismo no arremate nas poucas vezes em que o time chega para definir e, é claro, cobrar mais concentração em momentos decisivos. Restam cinco jogos.