Entre Linhas

Opinião: qual a necessidade de um Campeonato Paraibano da 3ª divisão?

Infelizmente, em 2021, apenas três clubes decidiram embarcar na 3ª divisão: Paraíba de Itaporanga, Spartax e Santos de Tereré

Federação Paraibana de Futebol (Foto: Raniery Soares/CBN)

Esta foi a pergunta que eu mais ouvi nos últimos tempos, sempre que alguém me procurava para comentar sobre o futebol paraibano. Por isso, fiz questão de começar este artigo lançando exatamente esta reflexão: qual é a necessidade da Federação Paraibana de Futebol criar uma 3ª divisão?

Preciso confessar que sou favorável, por mais que o meu posicionamento pareça estranho. E sou, por uma razão bem simples. Hoje, a FPF tem aproximadamente 25 filiados com seus departamentos de futebol profissional aptos às disputas do Campeonato Paraibano.

Infelizmente, em 2021, apenas três clubes decidiram embarcar na 3ª divisão: Paraíba de Itaporanga, Spartax e Santos de Tereré.

Todos querem disputar a 1ª divisão e outros muitos querem disputar a 2ª divisão. Tem espaço para todo mundo? Claro que não. Os campeonatos estaduais estão cada vez menores, por causa das imposições de calendário da CBF e quanto maior o número de equipes, menor a qualidade do nível técnico da competição.

Com a quantidade de clubes profissionais hoje existentes (inclusive os que hoje estão desativados, mas que já disputaram edições do Campeonato Paraibano em outras épocas, sou favorável a uma 1ª divisão com oito clubes, uma 2ª divisão com oito ou dez clubes e uma 3ª divisão até com uma maior quantidade de clubes.

Isso faria com que novos clubes pudessem ter oportunidade de conhecer o que é a profissionalização (isso também vale para quem hoje disputa competições profissionais, mas que em termos de organização está mergulhado no amadorismo). Além disso, teríamos outras cidades com representação no Campeonato Paraibano: Caaporã, Monteiro, Bayeux, São Bento, Catolé do Rocha, Conceição (estou citando apenas locais que já tiveram representantes ou que são importantes para a Paraíba, mas nunca tiveram um time profissional).

Quanto pior, melhor!

Alguns torcedores e até colegas de imprensa questionavam fervorosamente: “você é louco? se a segunda divisão já não presta, o que dirá a terceira?”. Tem quem goste do “quanto pior, melhor”, ao invés de debater soluções que possam mudar este futebol que muitos chamam de nosso.

A estes, respondi com outras perguntas, com o objetivo de estender o debate e provocar novas reflexões:

– Inchar a 2ª divisão resolve os problemas do profissionalismo do futebol paraibano?
– Se um clube que não tem condições plenas de jogar uma 2ª divisão disputa mesmo assim e sobe para a elite? Como fica essa situação?

Criar a 3ª divisão é uma oportunidade para que, de uma vez por todas, agentes importantes do futebol como atletas, técnicos, auxiliares, preparadores, massagistas e principalmente dirigentes possam aprender o que é o futebol profissional e como ele funciona.

É uma alternativa aos que ficam desempregados após a 1ª e 2ª divisões da vida possam continuar levando o pão de cada dia para casa através do que gostam e sabem fazer: futebol.

É mais uma porta para que jovens conquistem seu espaço no futebol, se profissionalizem e continuem sonhando com um lugar ao sol no mundo da bola.

A 3ª divisão é nada mais do que uma segunda 2ª divisão. Até porque se não houvesse essa ruptura teríamos uma Segundona cada vez mais inchada, com clubes que meramente vislumbram não um acesso à elite, mas visam patrocínios, Gol de Placa e outros benefícios ofertados à 1ª divisão.