Líder de torcida organizada do Botafogo teme pela vida e pede ajuda

Ameaçado várias vezes, presidente da Força Independente Anjinhos do Belo, Rodrigo Pereira, explicou que seu agressor anda armado e é da Polícia Militar.

Maurício Melo

O presidente da torcida organizada do Botafogo, Força Independente Anjinhos do Belo, Rodrigo Pereira, procurou o Paraíba1 nesta sexta-feira (20) para pedir ajuda. Ele teme ser atacado e até morto por integrantes de torcidas rivais no próximo domingo (22), quando acontece a final da Copa Paraíba.

Leia a crítica do blog Carrinho por Trás sobre o assunto

Segundo ele, o Ministério Público começou a acompanhar os casos de violência nas torcidas da Paraíba e ficou de convocar uma nova reunião com a presença do Comando da Polícia Militar. Porém, este encontro nunca aconteceu. Rodrigo disse que foi várias vezes ameaçado e que, inclusive, já foi agredido antes.

Rodrigo explicou que espera o encontro com a Polícia para sugerir que o estádio passe a abrir as portas para as diversas torcidas em horários específicos para, assim, evitar os confrontos na chegada ao campo. "Temos que ir em grupo. Se formos sozinhos ao campo, corremos o risco de sermos encurralados e espancados".

"Eu represento uma torcida e não posso deixar de ir ao campo, mas temo por minha vida", disse revelando que um dos líderes de torcida é policial militar e anda armado sempre, "inclusive quando não está de serviço". O policial a que se refere é o cabo França, conhecido como Leão. De acordo com Rodrigo, há até fotos na Internet em que o policial aparece com uma bandeira roubada dele sendo rasgada.

O presidente disse que as ameaças que sofre por liderar a torcida Fiab se tornaram mais graves quando, há quinze dias, teve a loja onde trabalha atingida por disparos de revolver. "A loja estava fechada na hora, mas o rapaz que dorme lá para cuidar do local teve que se jogar no chão para escapar dos tiros.

Ele pediu que ficasse registrado que se algo acontecer a ele nos próximos dias, os prováveis culpados serão o cabo França, da torcida Jovem do Botafogo, ou o dirigente Léo, da torcida Fúria Independente do Botafogo. O curioso é que a violência acontece entre torcedores do mesmo time.

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O dirigente de torcida e policial militar citado na matéria, também conhecido como professor Leão, foi contactado pela reportagem por telefone, mas se negou a falar sobre o assunto.

A origem dos confrontos

Rodrigo Pereira contou como a rivalidade começou. Segundo ele, no início havia apenas a Torcida Jovem, que abrigava torcedores de todos os bairros da Capital. Eram promovidas festas e shows, onde os torcedores deveriam se divertir juntos. No entanto, pequenos grupos começaram a se formar representando bairros.

Estes grupos disputavam espaço nas festas e passaram a disputar por espaço nos estádios e até nas ruas. Chegou ao ponto em que alguns grupos se tornaram torcidas independentes da Jovem e a rivalidade só aumentou. Cresceu tanto que a violência entre as torcidas do Botafogo de João Pessoa é maior que contra as torcidas de outros times.

Violência registrada

O Blog Carrinho por Trás, do jornalista Phelipe Caldas, já vem discutindo a violência nos estádios paraibanos há tempos e registrou algumas das confusões protagonizadas pelas torcidas do Botafogo da Paraíba.