Para derrubar Sérgio Moro, bastava um discurso de Pedro Simon

Ao ler as conversas do então juiz Sérgio Moro com o procurador Deltan Dallagnol publicadas pelo Intercept, lembrei muito do senador Pedro Simon.

Aos mais jovens, um pouco da sua história: gaúcho, militou no velho PTB. Migrou para o MDB quando o regime militar optou pelo bipartidarismo. Foi governador do Rio Grande do Sul, ministro do governo Sarney, mas, sobretudo, senador da República. Agora, fora da vida pública, está com 89 anos.

Pedro Simon era um político íntegro e um orador brilhante. Ponderado quando necessário, ostentava uma coragem e uma firmeza invejáveis nos momentos em que estas se faziam imprescindíveis.

Um discurso de Pedro Simon? Um discurso de Pedro Simon derrubava um ministro flagrado fazendo o que não devia. Por isto, lembrei muito dele de domingo para cá.

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Sérgio Moro, o (ainda?) superministro da Justiça de Jair Bolsonaro? Moro não resistiria a um discurso do velho senador.

Ministro Sérgio Moro, vossa excelência não reúne mais as condições para permanecer no governo! Nem neste, nem em qualquer governo! – e, aí, ninguém segurava Simon na sua fala que tanta falta faz ao parlamento brasileiro. Nem nenhum presidente conseguia mais manter o ministro no cargo.

Num governo como outros que a gente viu, Sérgio Moro logo deixaria o ministério. Ou seria “deixado”. Até no governo Temer, como testemunhamos, há tão pouco tempo, o que ocorreu com Romero Jucá e Geddel Vieira Lima.

Mas, entre a inapetência do presidente, o despreparo para o cargo e a ausência de um projeto para o país, Bolsonaro não faz um governo normal.

E Moro segue ministro.