Carnaval: “sem festa, tem ambulante que está passando fome”, diz representante de associação

Levantamento de associação aponta que, só em João Pessoa, são 350 ambulantes que trabalham somente em eventos.

Foto: Rafael Passos/Secom-JP
Renda dos ambulantes ficou comprometida sem a realização de festas como o Carnaval. Foto: Rafael Passos/Secom-JP

A pandemia do novo coronavírus não mudou apenas o Carnaval, mas todas as tradicionais festas de rua que não estão sendo realizadas desde o ano passado. Uma das grandes perguntas que precisam ser feitas em um momento como esse é: como estão vivendo as pessoas que dependiam destes eventos para vender comida, bebida, brinquedos e assim, garantir o sustento de suas famílias?

A presidente da Associação dos Ambulantes e Trabalhadores em Geral da Paraíba (AMEG), Márcia Medeiros, afirmou que a entidade tem aproximadamente 350 ambulantes cadastrados como trabalhadores em eventos do tipo Carnaval, São João, Festa das Neves e Réveillon. Todos eles, segundo ela, também estiveram cadastrados até 2020 junto à prefeitura de João Pessoa.

Como João Pessoa é conhecida por realizar anualmente a prévia carnavalesca, Márcia lembrou que até o ano passado, após as festas da Capital, os ambulantes seguiam para cidades como Lucena, Conde e Alhandra, localizadas no litoral paraibano e que realizam o carnaval em seus dias tradicionais, com o objetivo de conquistar um complemento da renda e vender todo o estoque de produtos adquirido para o período.

“Esses trabalhadores de eventos não trabalham no dia a dia das praias ou do centro. São pessoas que viviam exclusivamente da realização dos eventos. Agora, sem as festas de rua, infelizmente algumas delas estão até passando fome, segundo relatos que estamos recebendo de pessoas próximas e até delas propriamente”, afirmou.

Márcia contou que alguns desses vendedores conseguiram se adaptar, durante a pandemia, aderindo à venda de novos produtos, além de ambulantes que chegaram a mudar de profissão. Mas, segundo ela, esta não é a realidade da maioria.

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“Quem vendia o espetinho ou o cachorro quente, passou a vender na porta de casa ou em algum outro lugar que tivesse um fluxo de pessoas. Até agora tem dado certo, mas tem gente que ainda está do mesmo jeito [sem vender]. Com a extinção do auxílio emergencial, temos muitos ambulantes passando até fome. Tivemos chefes de família que precisaram se expor a qualquer condição de trabalho e perderam até a vida por causa da Covid-19, deixando a esposa, o marido e filhos pequenos”, contou.

Desde o início da pandemia, Márcia Medeiros disse que os ambulantes receberam duas cestas básicas do Governo da Paraíba e uma da Prefeitura de João Pessoa, esta há quase um ano. Ela adiantou que existe uma sinalização para que a categoria possa conversar com representantes da prefeitura na próxima semana, com o objetivo de buscar um auxílio para amparar os trabalhadores de eventos.

Em nota, a Secretaria de Desenvolvimento Urbano de João Pessoa (Sedurb), responsável pelo cadastro de pessoas que trabalham como vendedores ambulantes, disse que “o órgão não recebeu nenhuma demanda relacionada à possíveis prejuízos ocasionados por causa da suspensão dos festejos de Carnaval”.

A Sedurb também informou que, em virtude dos decretos municipal e do Governo do Estado, que cancelaram o ponto facultativo nas repartições públicas estaduais e da Prefeitura de João Pessoa, “os comerciantes terão a oportunidade de desempenhar suas atividades para um público maior do que o historicamente registrado no período momesco na cidade. Dessa forma, o segmento espera ter um incremento considerável nas vendas”.