Cemitérios estão superlotados e prefeitura tenta evitar colapso em João Pessoa

Número de mortos por Covid-19 em março foi maior do que a soma de janeiro e fevereiro, contribuindo superlotação.

(Foto: Francisco França/Arquivo JP)
Cemitérios superlotados fazem com que risco de colapso em João Pessoa aumente – Foto: Divulgação/Secom-jp

Um levantamento feito pela Secretaria de Desenvolvimento Urbano de João Pessoa (Sedurb) mostrou que o mês de março, em 22 dias, registrou 34 sepultamentos a mais do que a soma dos meses de janeiro e fevereiro de 2021. Conforme o chefe de gabinete do órgão, Eduardo Pedrosa, o crescente número de mortes por Covid-19 fez com que a ocupação dos cemitérios chegasse a 100% e criando o risco de colapso no sistema. 

 

Segundo a Sedurb, em janeiro de 2021 foram realizados 80 sepultamentos de vítimas da pandemia na capital. Em fevereiro, o número subiu para 88 e, até a segunda-feira (22), foram 202 sepultamentos no mês de março. “Podemos chegar a 270 sepultamentos no mês, se continuarmos no mesmo ritmo”, explica Pedrosa. 

 

Para o chefe de gabinete, o aumento na pandemia tornou a situação complicada nos cemitérios, já que as mortes crescentes funcionam como um efeito dominó que gera uma reação em cadeia no sistema todo. “Com mais mortes diárias, os hospitais não conseguem ficar com os corpos e acabam fazendo pressão nas funerárias, que, por sua vez, fazem pressão nos cemitérios públicos e nos privados”, diz.

 

Em janeiro, assim que começou a nova gestão, a prefeitura montou um plano de contingência para evitar que o sistema entrasse em colapso por superlotação. De acordo com Pedrosa, havia a previsão de aumento no número de casos e foi preciso fazer este planejamento, em três etapas.

 

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“Na primeira, aceleramos as exumações. Existe uma lei municipal que prevê que em dois anos, mediante autorização da família, é possível fazer a exumação do corpo no cemitério e colocar os restos mortais no ossário. Diariamente estamos fazendo estas exumações para que novas vagas sejam abertas para os corpos que chegam, mas, digamos, se uma pessoa procura um túmulo novo, não existe no momento”, diz. 

 

Conforme o chefe de gabinete, com o alto número de mortes em março, a prefeitura entrou na fase dois do plano de contingência. “Esta fase consiste em passar a usar os cemitérios privados para enterrar os corpos que seriam destinados a cemitérios públicos. Nós já começamos isso com um cemitério privado no bairro de Mangabeira”, explicou. 

 

Ainda de acordo com Pedrosa, a prefeitura deve anunciar, ainda esta semana, a terceira fase do plano de contingência, que é a reforma e ampliação dos cemitérios Senhor da Boa Sentença, no Varadouro, e do Cristo. 

 

“Estamos trabalhando incansavelmente nos cemitérios para não colapsar o sistema como aconteceu em outros estados em que foi preciso abrir covas coletivas para suprir a demanda, mas para não chegar neste ponto, é preciso que a população colabore, cumpra os decretos municipal e estadual, usem álcool em gel, máscara e também mantenham o distanciamento social, que é a única forma de conter a pandemia”, completa.