Família de vítimas da chacina de Pioz relembra crime: “vida toda de saudades”

Crime completa cinco anos nesta terça-feira (17).

Walfran e Marcos Campos moraram juntos na Europa. (Foto: Walfran Campos/Arquivo Pessoal)
Walfran e Marcos Campos moraram juntos na Europa. (Foto: Walfran Campos/Arquivo Pessoal)

Há cinco anos, o paraibano Patrick Nogueira entrava na casa do tio, em Pioz, na Espanha, para matá-lo. Esquartejou não apenas o tio, mas a esposa dela e os filhos do casal, de 1 e 4 anos. Ele foi condenado a prisão perpétua revisável e cumpre pena no Centro Penitenciario Madrid VII, conhecido como Presídio de Estremera. Após cinco anos, a dor da família ainda é a mesma. “São cinco anos de saudades. Na verdade, será a vida toda de saudades, pois nada irá preencher esse vazio deixado por eles”, declara Walfran Campos, irmão de Marcos Nogueira, uma das vítimas da chacina de Pioz.

Cinco após o crime, Walfran escolheu morar na mesma cidade onde, no passado, morou com o irmão, em La Corunha, na Espanha. Apesar do crime ter marcado o país, estar na cidade faz Walfran também estar mais perto do irmão, revivendo alguns momentos que passou com Marcos.

No Brasil, a família segue tentando superar o trauma. Alguns dias, no entanto, são piores que outros. “O dia que encontraram os corpos, aniversário e datas comemorativas como Natal, Ano Novo, Dia das Mães… Essas datas trazem logo a a lembrança deles”, desabafa Walfran.

Uma família inteira, pai, mãe e filhos, foi dizimada por um parente próximo. Foi assim que os familiares descreveram na época do crime e é como a família vive e sente hoje. “Não é fácil e nem tem sido fácil. Na verdade, temos sido fortes demais para superar tudo isso”, ressalta.

Marcos, Janaína e os dois filhos do casal foram mortos por Patrick, na Espanha. Foto: Reprodução/Facebook/Janaina Diniz Diniz

O quádruplo assassinato de uma família paraibana aconteceu na cidade de Pioz, província de Guadalajara, no dia 17 de agosto e foi descoberto um mês depois. As vítimas foram os paraibanos Marcos Campos Nogueira, a esposa dele, Janaína Santos Américo, e os dois filhos pequenos do casal. As investigações da polícia espanhola apontaram para um único suspeito: François Patrick Nogueira Gouveia, sobrinho de Marcos.

“E logo eu, que vivi com ele na Espanha, na mesma casa, que tive que levar os corpos pro Brasil, que tive que acompanhar toda tragédia de perto, fiz a reconstituição do crime, vi como ele cometeu o crime, olhei a cena do crime, vi o sonho de uma família ser destruído. Isso tudo faz doer na alma e na memória”, lamenta Walfran. Ele foi o responsável por resolver todas as burocracias após a morte da família.

Patrick Gouveia

Amigo que deu dicas foi absolvido

Apesar de saber que nada mudará o que aconteceu, a família de Marcos Nogueira ainda esperava por Justiça. No mês passado, o jovem acusado de participar do crime dando dicas a Patrick Nogueira foi absolvido pela Justiça paraibana. Marvin Henriques estava com tornozeleira eletrônica e cumprindo medidas cautelares, mas a Justiça entendeu que ele não participou do homicídio e que não praticou nenhum crime tipificado no Código Penal Brasileiro, decidindo assim pela absolvição sumária.

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Na Paraíba, Marvin Henriques trocou mensagens via WhatsApp com Patrick, enquanto ele executava o crime na Espanha. De acordo com o material obtido pelo Fantástico, os dois começaram a conversar às 14h06 no Brasil, 19h06 na Espanha.

Patrick conta a Marvin que já tinha matado Janaína e as crianças e estava esperando o tio Marcos chegar. Marvin pergunta como o amigo abordou as vítimas e em sequência ri. “Queria imaginar imaginar a cena, você chegando pra matar. Kkkk (sic)”. Posteriormente, Marvin dá dicas de fuga ao amigo. “Sai despercebido aí. Sai pela frente mesmo, de manhã, como se fosse caminhar ou algo do tipo, sei lá”, disse.

Marvin se tornou réu no processo, após a juíza do caso, Francilucy Rejane de Souza, ter aceitado a denúncia do Ministério Público de que o jovem foi peça fundamental na morte de Marcos Campos, o último da família a ser morto.

“Eu falo com muita tristeza, com muita revolta, raiva mesmo no coração, de saber que uma pessoa poderia ter evitado a morte do meu irmão, e ela simplesmente ficou rindo dos corpos das crianças sendo assassinados, rindo da mulher do meu irmão sendo assassinada, incentivou a matar o meu irmão, a esquartejar meu irmão, a como fugir, ele incentivou Patrick a cometer todo o crime”, desabafa Walfran Campos, irmão de Marcos Campos, o último a ser morto por Patrick.