Cabo Gilberto condena volta das coligações partidárias: “deixa o processo eleitoral sem transparência”

Por LAERTE CERQUEIRA e ANGÉLICA NUNES 

Cabo Gilberto na tribuna da AL/PB. Foto: AL/PB

 

O deputado estadual Cabo Gilberto (PSL) divulgou áudio, nesta terça-feira (24), condenando o retorno das coligações partidárias nas eleições do ano que vem. Segundo ele, o modelo atual, sem união de partidos, fortalece mais a democracia e vai diminuir as “legendas de aluguel”.

Para ele, a volta do modelo das coligações é um retrocesso porque deixa o processo eleitoral sem transparência.

“Quer dizer: um partido A se coliga com o B, mas a população voltou no A. Queria que o candidato A vencesse. Porém quem venceu foi o candidato B, totalmente contrário às ideias. Então, cada partido tem que mostrar sua cara, sua bandeira e tem que mostrar sua identidade para conquistar o eleitor”, explicou.

A declaração foi dada no dia em que o presidente da Assembleia Legislativa, Adriano Galdino (PSB), pediu aos parlamentares estaduais favoráveis à mudança pressionem os senadores paraibanos a votar favor do retorno das coligações.

A volta das coligações já passou pela Câmara e será analisada pelo Senado. A PEC precisa ser aprovada em dois turnos por 2/3 dos senadores.

Recentemente, Galdino e Cabo Gilberto trocaram “farpas” na AL. O presidente ameaçou ir à Justiça contra o líder da oposição porque foi chamado de ditador. Cabo Gilberto acusou Galdino de impedi-lo de falar nas sessões remotas, cortando o microfone.

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Nesse caso do modelo de eleição parlamentar, a divergência tem justificativa clara. Galdino vai para um um partido pequeno nacionalmente, o Avante, e precisa eleger mais deputados federais e senadores para não correr o risco de ser extinto.

O PSL, que cresceu na onda “bolsonarista de 2018”, é um dos maiores do país. Com pouco risco, pelo menos por enquanto, de ficar para trás por causa da cláusula de barreira – instrumento da atual legislação eleitoral para, paulatinamente, diminuir o número de partidos no Brasil.

Posição de Galdino 

Para Galdino, o modelo atual de eleição proporcional, onde candidatos do mesmo partido se ajudam na votação, foi feito para manter somente os partidos fortes e é antidemocrático.

“Acabar com as coligações só tem um único objetivo; ficar sete ou oito partidos no Brasil para que esses partidos grandes fiquem com o bolo do fundo partidário para eles. E quanto menos partidos mais fundo partidário para os que continuam funcionando. Eu não sei até que ponto isso é bom para a democracia. Pelo contrário, acho que é ruim”, afirmou.

Ouça o áudio de Cabo Gilberto: