Acidente que matou três pessoas da família Ramalho faz três anos

Sentimento de impunidade prevalece entre os familiares. Acusado ainda não foi julgado e é considerado foragido da Justiça.

Phelipe Caldas e Luzia Santos
Do Jornal da Paraíba

Seis de maio de 2007. Aproximadamente 23h de domingo. Um Golf dirigido pelo estudante João Paulo Guedes Meira, então com 22 anos, vem em alta velocidade pela avenida Epitácio Pessoa e não respeita os seguidos sinais vermelhos. João Paulo está sob o efeito de álcool e quando avança outro sinal vermelho (o terceiro), que cruza a Epitácio com a rua Professor José Leite, acerta em cheio um Palio, matando três pessoas da família Ramalho.

Todas estas informações têm como base o inquérito policial e os autos do processo que tramitam no 1º Tribunal do Júri de João Pessoa, mas exatos três anos depois do acidente e mais de um ano depois de um mandado de prisão ser expedido contra ele, João Paulo continua foragido e em liberdade.

Morreram naquela noite o motorista do Palio, Francisco de Assis Guerra Ramalho (49 anos), Matheus Cavalcanti Ramalho (16 anos) e Antônio de Pádua Guerra Ramalho (53 anos), todos primos do cantor Zé Ramalho. Filha de Antônio e prima de Matheus, a funcionária pública Maria do Socorro Ramalho se diz revoltada com a sensação de impunidade.

“Prevalece o sentimento de impunidade, que torna a dor ainda mais intensa. Ficamos nos perguntando quem será o próximo, já que a impunidade acaba dando brechas para que outros casos como estes aconteçam”, destaca. Ela pondera, contudo, que a família não vai deixar nunca de lutar. “Continuamos atrás desta tal de justiça que até hoje eu não conheci. Mas é mais um ano em que vamos protestar contra este bárbaro crime de trânsito”, enfatiza.

Nina, como é conhecida entre amigos e familiares, apela ainda para que a população ajude a prender João Paulo. “Faz mais de um ano que a Justiça decretou a prisão preventiva dele, mas apesar disto ele continua em liberdade. Quem tiver notícias do paradeiro, portanto, eu peço que avise à polícia”.

A família das três vítimas avisa também que vão lembrar o caso a partir das 17h de amanhã, quando será celebrada uma missa e depois realizar uma caminhada até o local do acidente. Para Nina, é uma forma de chamar a atenção da sociedade e protestar contra a impunidade.

Quem fala sobre o caso é o advogado Ricardo Sérvulo, que representa a família Ramalho e pede uma ação mais enérgica das polícias Civil e Militar. “Temos que lembrar que a Justiça fez sua parte e mandou prender o rapaz. Precisamos saber então por que um ano depois a polícia ainda não conseguiu prendê-lo”, opina. “Mesmo depois do mandado de prisão, ele já foi visto em várias cidades da Paraíba agindo tranquilamente e ainda assim não foi preso. Queremos que a polícia se posicione e cumpra a determinação judicial, para que assim ele possa pagar pelo que fez”, exigiu.

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O advogado do acusado, André Lucena, alegou que desconhece o local onde João Paulo está. Disse ainda que o acusado deixou de comparecer à convocação da Justiça em razão de estar em audiência na Vara Cível, em João Pessoa, no dia em que deveria comparecer em Patos. O advogado contestou a informação de que seu cliente estaria dirigindo embriagado no momento do acidente.

“A perícia não confirmou que João Paulo estivesse pilotando sob efeito de álcool”. Lucena disse que entrou com recurso no Superior Tribunal de Justiça (STJ) para reverter a prisão preventiva.

Nome do acusado não está no Infoseg

O vereador pessoense Bira Pereira promete para esta quinta-feira (6) um pronunciamento na Câmara Municipal de João Pessoa relembrando o caso e cobrando uma ação mais efetiva para que João Paulo seja preso. E antecipa uma grave denúncia que vai colocar em pauta: mesmo depois de ter um mandado expedido contra ele desde 27 de janeiro de 2009, o nome de João Paulo Guedes Meira não foi incluído ainda na Rede Nacional de Informações (Infoseg), arquivo onde estão os nomes de todas as pessoas procuradas pela Justiça brasileira.

O delegado geral da Polícia Civil da Paraíba, Canrobert Rodrigues, foi procurado para esclarecer as razões pelas quais o nome de João Paulo não foi incluído no Infoseg e por que ele ainda não está detido, mas, apesar dos vários telefonemas, não foi localizado.

Bira vai requerer que o nome de João Paulo seja imediatamente incluído na rede, para assim facilitar a sua prisão. Por meio de sua assessoria, o parlamentar destacou que atualmente ele pode passar por qualquer barreira policial que ainda assim não será preso, já que no Infoseg aparece um “nada consta” para o seu nome.

Ainda de acordo com o vereador pessoense, só colocando o nome de João Paulo na “lista de procurados” é que a Justiça e a polícia terão mais condições de efetuar a sua prisão.

A informação, inclusive, foi confirmada pelo Departamento de Trânsito da Paraíba (Detran-PB), que disse não haver atualmente nenhuma restrição contra João Paulo. Mesmo foragido da polícia, ele hoje poderia, inclusive, renovar sua CNH ou requerer qualquer documento do órgão. Isto porque, segundo a assessoria de imprensa do órgão, seu nome não consta na lista de procurados do Infoseg e não chegou ao Detran nenhuma restrição judicial contra o estudante.

Segundo a assessoria, “o órgão não tem o poder de suspender nenhuma carteira. Isto só a Justiça pode determinar”.