Forte de Santa Catarina se enfraquece por falta de investimentos

Patrimônio Histórico Nacional se mantem com uma taxa de R$ 2  cobrada aos visitantes, denuncia presidente da fundação.

Localizada em Cabedelo, à margem direita do Rio Paraíba, a Fortaleza de Santa Catarina é a edificação mais importante do período colonial ainda de pé no estado. A construção data do século 16, primórdios da conquista do território brasileiro, e preserva os traços do passado. A Fortaleza é tombada como patrimônio histórico nacional, mas recebe pouca assistência do Governo Federal. Atualmente, o local é administrado por uma fundação sem fins lucrativos que se mantém apenas com os recursos provenientes das visitações turísticas.

A importância militar do prédio foi diminuindo com o transcorrer dos séculos, visto – que com a consolidação do Estado brasileiro – sua função de defesa já não era mais tão necessária. A Fortaleza permaneceu sendo um bem pertencente ao Exército Brasileiro e em 1938 foi o primeiro imóvel paraibano tombado pelo antigo Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Sphan), órgão que evoluiu para o atual Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Em 1991, a administração da Fortaleza passou às mãos da Associação Artístico-Cultural de Cabedelo (AACC), entidade civil organizada sem fins lucrativos que abriu o monumento à visitação pública. Posteriormente, em 1995, foi criada a Fundação Fortaleza de Santa Catarina, que está na gerência do imóvel até os dias atuais.

“Até a década de 90, o forte estava em completo estado de abandono, sendo inclusive ocupado por cerca de dez famílias que estavam depredando a estrutura secular. Era impossível incluir o local como ponto turístico”, conta Osvaldo da Costa Carvalho, presidente da Fundação.

A Fortaleza de Santa Catarina recebe em média 36 mil pessoas por ano, sendo os meses de janeiro e julho os mais movimentados. De acordo com o administrador, a Fundação se mantém exclusivamente com a receita gerada pelo próprio imóvel através da taxa de visitação (R$ 2,00) e aluguel a eventos particulares. “Hoje temos seis guias turísticos, mas a demanda é de pelo menos o dobro. Manter uma estrutura desse porte requer dinheiro e os recursos são limitados, os custos com energia, por exemplo, chegam a R$ 2.500,00 por mês. Muitas vezes tenho que recorrer a empresários locais para suprir as necessidades de manutenção”, revela Osvaldo Carvalho.

Dentre as atividades regulares que a fortificação requer estão os serviços de jardinagem mensal e a pintura de portas e paredes anual. Além da manutenção básica, a Fortaleza requer uma reforma na cobertura e a conclusão de elementos da estrutura externa (baluartes, revelins, guaritas, cornijas e aterro entre as muralhas).

O presidente da Fundação Fortaleza de Santa Catarina sente falta da atenção do Governo Federal na assistência ao bem.

“Esperamos que as instituições públicas e privadas formulem uma política efetiva voltada para a valorização dos bens culturais de nossa terra e isso é feito através de investimentos. Seria interessante criar um Plano Integrado de Turismo que não visasse só praias e o por do Sol de Jacaré, certamente teríamos a nossa cultura e turismo enriquecidos e a consequente elevação da economia no município e estado”, argumenta Carvalho.