Turistas e moradores se arriscam em ‘selfies’ na barreira do Cabo Branco

Desavisados sobre o perigo, algumas pessoas se arriscam no local, que corre risco de desmoronamento, apenas por uma foto.

“Área de risco sujeita a desmoronamento”. Esse é o aviso presente nas placas da Defesa Civil de João Pessoa fixadas em três localidades na Barreira do Cabo Branco, na orla da capital. Mas no caminho entre a estátua de  Iemanjá (na base da barreira) até o mirante, próximo ao local onde a passagem de carros foi proibida, não há nenhum indicativo do perigo de desabamento, o que faz muitos turistas subirem até a ponta da falésia para tirar fotos, especialmente selfies. 

Foi o caso da recifense Marília Barbosa, que passou as férias do início do ano na capital paraibana e, durante um passeio pela praia do Cabo Branco, decidiu subir e ir bem próximo ao limite do abismo para tirar fotos na paisagem.  Sem ter plena consciência do  perigo, ela fez uma selfie que poderia colocar sua vida em risco.

“Um aviso limitaria o turista de chegar aonde a gente está e correr o risco de acidente. A gente só estava admirando a vista, já que não tem um indicativo proibindo ”, justificou a professora, após ser alertada pela reportagem. 

“Até o momento nós não sabíamos. Sentimos falta da orientação. Porque na verdade se tivesse alguma indicação a gente não ia para essa barreira”, afirma Caio César Farias, turista de Olinda que estava no mesmo grupo de Marília. Para chegar ao cenário da foto, os turistas tiveram que andar por um ambiente com barro, pedras, mata e até um buraco que divide duas faixas de terra. 

O coordenador da Defesa Civil de João Pessoa, Noé Estrela, afirma que já foram colocados arames para definir a área que as pessoas  não podem ultrapassar. “O que acontece muitas vezes é que as pessoas retiram o arame e passam para tirar fotos lá, por questão de imprudência mesmo. Tivemos várias vezes que voltar à falésia para recolocar essa proteção”, declara. 

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Contudo, a área citada por Noé, vai do mirante até o Farol do Cabo Branco, mas não chega ao cenário de fotos dos turistas que abrem essa reportagem. 

“A proteção precisa chegar até lá, assim como os avisos de risco de desmoronamento, mas pretendemos fazer isso junto à mudança do arame de proteção do mirante, onde vai ser colocada uma cerca de alumínio no local”, afirma o coordenador da Defesa Civil.

O motivo da mudança do tipo de proteção é a criação de uma praça para a prática de esportes como skate e patinação nas proximidades. “Vamos analisar ainda se a área entre a estátua de Iemanjá e o mirante vai precisar de um arame ou de uma cerca de alumínio. Mas, provavelmente, só a área determinada vai ter o cerco por causa do risco de quem pratica esporte por lá”, prevê Noé Estrela. 

Segundo a Defesa Civil, o prazo para implantação da outra parte de proteção da falésia ainda não foi definido porque precisa passar pela Secretaria de Planejamento da capital.

Por sua vez, o chefe de fiscalização da Secretária de Meio Ambiente (Seman) , Alisson Cavalcante, afirma que no local, apenas o trânsito de veículos pode gerar problemas. “A barreira já foi interditada e o acesso de carros até o local foi totalmente proibido. Quanto aos pedestres que andam por lá, não há risco”, declara.