Libanês e iraquiano são presos na PB suspeitos de ligação com organização criminosa

Segundo delegado, os suspeitos foram presos em um hotel no bairro de Tambaú.

Dois estrangeiros suspeitos de participar de uma organização criminosa especializada na falsificação de documentos brasileiros foram presos em João Pessoa, segundo informou o delegado Lucas Sá nesta segunda-feira (24). O libanês Bahaeddine Nasser Rahal, de 31 anos e o iraquiano Hussein Ali Hussein, de 30 anos, estavam em um hotel no bairro de Tambaú quando foram presos. No dia 12 de abril um saudita e um iraquiano foram presos suspeitos de integrarem a mesma associação criminosa.

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De acordo com informações da Delegacia de Defraudações e Falsificações da capital, os dois estariam na Paraíba a mando da organização para prestar auxílio aos três suspeitos presos no dia 12 de abril, entre eles o irmão de Hussein, o também iraquiano Feras Ali Haussn, que é suspeito de ligação com grupos terroristas ou associações criminosas de cunho extremista.

Os documentos eram emitidos sobretudo para sírios e seriam usados para imigração ilegal para os Estados Unidos e para a Europa. De acordo com o delegado de Defraudações e Falsificações (DDF) de João Pessoa, Lucas Sá, o grupo utilizava documentos falsos para conseguir o passaporte brasileiro por ter bom reconhecimento por países da Europa e os EUA.

De acordo com o delegado Lucas Sá, as prisões aconteceram na sexta-feira (21), em decorrência da primeira operação, realizada no dia 12. “Nós recebemos informações de que dois suspeitos, inclusive o irmão de Feras, estavam em João Pessoa para ajudar o trio preso. Fomos até o local e identificamos os dois. Durante a abordagem, eles receberam ligações de um número da Paraíba e identificamos ser de Feras, que estava usando o celular de dentro do presídio. Ele chegou a ir até a delegacia, mas negou tudo e não conseguimos localizar o aparelho. A ligação foi gravada e, como está em árabe, vamos investigar para saber o que foi conversado”, explicou Sá.

Na delegacia, os suspeitos confessaram a atuação conjunta há vários anos, mas se negaram a apresentar detalhes. “Foram encontradas diversas conversas recentes entre os suspeitos presos em abril e os desta sexta-feira. Estas conversas confirmam a atuação conjunta nas fraudes em investigação”, explica o delegado.

Ainda conforme a Polícia Civil, as conversas entre os suspeitos por meio do celular permitiram a identificação de outras pessoas que residem fora da Paraíba, cujos nomes não foram divulgados. O iraquiano e o libanês foram indiciados pelo crime de organização criminosa e tiveram a prisão em flagrante convertida em preventiva. As novas prisões foram comunicadas à Polícia Federal, à Interpol e à embaixada do Iraque.

A investigação da delegacia aponta que o grupo atua em diversos estados brasileiros, contando com um elaborado esquema e com a colaboração de funcionários públicos e de cartórios para negociar documentos públicos brasileiros – como certidões de nascimento, identidades, passaportes e outros -, que são revendidos a estrangeiros da Arábia Saudita, do Iraque, da Síria, do Líbano e do Paquistão que não preenchem os requisitos para estadia legal no Brasil.