Chacina de Pioz: Patrick Nogueira é condenado a prisão perpétua

Paraibano está preso na Espanha por ter assassinado os tios e dois primos de 1 e 4 anos.

 

O paraibano François Patrick Nogueira Gouveia, assassino confesso dos tios e de dois primos pequenos na cidade de Pioz, na Espanha, foi triplamente condenado a prisão permanente revisável, que funciona como uma prisão perpétua na Espanha, e mais 25 anos de prisão pelo crime que ficou conhecido como  a “chacina de Pioz”.

A tripla condenação a prisão permanente revisável se deu pelo assassinato do seu tio Marcos Campos Nogueira e dos dois primos de 1 e 4 anos. Já pelo assassinato de Janaína Santos Américo, esposa do tio de Patrick, a condenação foi de 25 anos de prisão. O paraibano acompanhou a leitura da sentença por videoconferência.

Patrick foi considerado culpado pelos crimes durante júri popular realizado no último sábado (3) deste mês, mas a sentença só foi lida pela juíza responsável, María Elena Mayor Rodrigo, nesta quinta-feira (15). De acordo com o jornal espanhol El Mundo, Patrick Nogueira é a quinta pessoa no país a ser condenado a prisão permanente revisável, mas o primeiro a receber a pena três vezes.

A pena não pode ser modificada até que Patrick cumpra 22 anos da pena e só depois de cumprir 3o anos é que pode haver revisão da pena.  Tanto o Ministério Público espanhol como a acusação particular tinham pedido a pena de prisão permanente revisável. A defesa de Patrick Nogueira, por sua vez, pediu a reclusão do réu por 25 anos alegando danos cerebrais que o colocava em condição de doente, fato que faria com que ele não respondesse por seus atos.

 

Julgamento

No último dia de julgamento, Patrick Nogueira pediu perdão mais uma vez aos familiares e falou que sofre como eles. Patrick explicou, em seu depoimento, que sofre porque “cavou” seu túmulo quando criança. Ele afirmou que gostaria de receber tratamento porque não gosta de ser assim e que acredita que as coisas agora vão piorar. “Agora não posso consertar o que passou”, disse Patrick Nogueira.

“Ele pegou a pena máxima em todos os aspectos, foi 9 a 0, foi 20 anos por cada assassinato, ou seja, ele pegou 80 anos, sendo que o limite de prisão máxima na Espanha são 40 anos. A prisão perpétua revisável é que a cada 20 ou 30 anos vão revisar se ele tem condições de estar na rua, sair da prisão. Mas, de acordo com os médicos forenses e com todo o histórico, provavelmente ele não saia, sendo de 30 a 40 anos o mínimo pra ele ficar na prisão, então ele não vai sair antes disso”, explicou Walfran Campos, tio do assassino, no final do julgamento e antes de sair a sentença definitiva.

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O crime

Patrick Nogueira está preso na Espanha desde outubro de 2016, quando se entregou às autoridades espanholas e confessou ter matado o tio Marcos Campos Nogueira, a esposa deste, Janaína Santos Américo, e os dois filhos do casal, de 1 e 4 anos. Após os assassinatos, ele esquartejou os corpos. O crime bárbaro aconteceu em agosto de 2016, mas só foi descoberto um mês depois, por conta do mal cheiro.

De acordo com a denúncia da promotoria, o acusado foi até a casa onde a família vivia na cidade de Pioz no dia 17 de agosto de 2016 “com o propósito de acabar com a vida” de seus tios e primos, utilizando uma faca de grandes dimensões.

Conforme o processo, a tia do acusado abriu a porta da casa na presença de seus filhos e permitiu a entrada de Patrick. Em um dado momento, no qual ambos estavam na cozinha, ele a atacou de forma surpreendente e fez um corte em seu pescoço, que veio a causar sua morte.

Em seguida, o acusado foi ao encontro de seus primos, um de quatro e outro de um ano de idade, e também os degolou. Depois, com a intenção de ocultar o crime, o jovem esquartejou o corpo da sua tia e colocou as partes em sacolas plásticas, fazendo o mesmo com os corpos de seus primos, mas sem desmembrá-los, e começou a limpar o local, aguardando a chegada de seu tio.

Quando o tio entrou na residência, foi recebido pelo assassino, que esperou que ele virasse as costas para atacá-lo, desferindo várias facadas. Depois, esquartejou o corpo como fez com sua tia, com a intenção de ocultá-lo.

Patrick voltou para o Brasil após a chacina

O acusado chegou a vir ao Brasil, mas foi preso em 19 de outubro após se entregar na Espanha e confessar ser de fato o autor do crime. Em depoimento, ele não revelou os motivos que fizeram com que ele cometesse o assassinato, disse apenas que “sentiu uma ódio incontrolável e uma vontade de matar”.

Além de Patrick, a chacina de Pioz tem um segundo acusado: Marvin Henriques Correia. O jovem foi preso em João Pessoa após a investigação comprovar que ele conversou com Patrick e deu dicas a ele durante a chacina. Ele se tornou réu como partícipe do homicídio de Marcos Nogueira, mas está respondendo em liberdade, desde que sua prisão foi revogada .