Dia de Conscientização do Autismo: quase 2 mil pessoas são assistidas na Paraíba

O tratamento dos pacientes deve ser feito com acompanhamento multidisciplinar.

Rizemberg Felipe
Segundo OMS, uma em cada 59 crianças nascidas é acometida do Transtorno do Espectro Autista. Foto: Rizemberg Felipe

Dificuldades de interação social e comunicação, associadas às desordens sensoriais, podendo acarretar comportamentos repetitivos e interesses restritos que afetam as etapas iniciais do desenvolvimento humano e aquisição de habilidades. Estes são apenas alguns do sinais que indicam que a pessoa pode ter o Transtorno do Espectro Autista (TEA). A doença, que acomete uma em cada 59 crianças nascidas, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), é lembrada nesta terça-feira (2), Dia de Conscientização do Autismo.

A data foi instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU) em dezembro de 2007, que definiu que o tema deste ano é “Tecnologias assistivas, participação ativa”. Estima-se que 70 milhões de pessoas no mundo tenham autismo, sendo 2 milhões delas no Brasil.

Na Paraíba, a Fundação Centro Integrado de Apoio ao Portador de Deficiência (Funad), que é referência no atendimento à pessoa com autismo, afirma que mais de 400 usuários são atendidos na unidade estadual. O número de pessoas com o TEA no estado, entretanto, pode ser ainda maior devido a falhas no diagnóstico. A assessoria da Secretaria Estadual da Saúde, afirmou que também não é possível dimensionar a população portadora de TEA pois a doença ainda não está na lista para notificação.

Ainda segundo a SES, a política de saúde é a mesma para pessoa com deficiência, de modo que eles devem ser atendidos na atenção básica, nos Centros Especializados em Reabilitação (CER) e Unidades Básicas de Saúde (UBS). O tratamento é feito com acompanhamento multidisciplinar de psicólogos, psicopedagogos, terapeutas ocupacionais, médicos e fonoaudiólogos.

Apenas a Prefeitura de João Pessoa atende em torno de 1,5 mil pessoas com deficiência. Através de uma rede de especialistas, são oferecidos serviços especializados. Além do Centro de Referência Municipal de Inclusão para Pessoas com Deficiência Auditiva, Visual, Intelectual Física e Múltiplas Deficiências (CRMIPD), há o Centro-Dia de Referência; o Centro de Reabilitação e Cuidado da Pessoa com Deficiência Física e Intelectual e a Residência Inclusiva, que acolhe pessoas com deficiência e em situação de vulnerabilidade social (ou seja, a pessoa em situação de rua e sem vínculo familiar, tem acolhimento residencial por inteiro).

Entre outros serviços, há a arteterapia, educação física adaptada, fisioterapia, fonoaudiologia, libras, medicina em geral, equipes de enfermagem; musicoterapia, psicologia, psicopedagogia, serviço social e terapia ocupacional.

O que é Autismo

Autismo é um termo geral utilizado para descrever um grupo de transtornos do desenvolvimento do cérebro, hoje conhecidos como Transtornos do Espectro do Autismo (TEA). Pessoas com esse diagnóstico comumente têm prejuízos, que podem variar em menor ou maior grau, em duas áreas: comunicação social e comportamentos repetitivos e restritos.

Esses prejuízos podem resultar em dificuldades em diversos contextos da vida como familiar, escolar, social, dentre outros. Cerca de 1% das crianças recebem o diagnóstico de TEA e suas principais manifestações ocorrem geralmente antes dos primeiros três anos de idade.

O TEA, na realidade, envolve um grupo de doenças do neurodesenvolvimento, de início precoce (antes dos 2-3 anos de idade), e que se caracteriza por dois aspectos principais: dificuldade de interação social e de comunicação.

Como identificar

É importante a divulgação dos sinais de alerta do autismo para facilitar o diagnóstico precoce. O conhecimento ajuda a família, a escola e os profissionais de saúde a detectarem o problema mais cedo. Vale ressaltar que cada pessoa é diferente. Uma pessoa pode apresentar algumas dessas características e não ter necessariamente o TEA. Por outro lado, a pessoa com autismo não precisa ter todas as características a seguir. Portanto, esses sinais servem apenas como alerta para que seja procurado um médico psiquiatra ou neurologista para uma melhor avaliação.

Alguns sinais de alerta:

  • Não responder ou não olhar quando chamado pelo nome ou, quando o faz, essa resposta se dá mais lentamente do que o esperado;
  • Não demonstrar alegria ou animação quando os pais se aproximam;
  • Fazer movimentos repetitivos com objetos ou com o próprio corpo (Exemplo: balançar as mãos, girar em torno do próprio eixo, girar rodas de carrinhos, alinhar brinquedos, repetições de sons ou palavras);
  • Diminuição ou ausência do sorriso social;
  • Ter ausência ou diminuição de contato visual; Não compartilhar interesses e/ou prazer;
  • Tem dificuldade de imitar.
Leis buscam dar maior visibilidade ao autista e recompor direitos. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Legislação que protege

O autista todos os direitos garantidos às pessoas em geral e às pessoas portadoras de deficiência previstos na Constituição, no Estatuto da Criança e do Adolescente, no Estatuto do Idoso, no Estatuto da Pessoa com Deficiência, em normas internacionais assinadas pelo Brasil, como a Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e seu Protocolo Facultativo e nas demais normas que tratam das pessoas com deficiência, especificamente, ou que, em algum momento, a elas se referem.

Na esfera estadual, há pelo menos quatro leis  que trazem benefícios aos autistas na Paraíba. A principal delas é a que dispõe sobre diretrizes para a política precoce e tratamento dos sintomas da síndrome do autismo no âmbito do sistema de saúde no estado, em vigor desde setembro de 2015.

Além dela, há uma lei que determinou a Inserção do símbolo mundial do autismo nas placas que sinalizam atendimento prioritário em estabelecimentos públicos e privados e uma outra que proíbe a cobrança de valores adicionais – sobretaxas para matrículas ou mensalidade de estudantes portadores de síndrome de down, autismo, transtorno invasivo do desenvolvimento ou outras síndromes.

Desde outubro do ano passado, os autistas da Paraíba passaram a ter direito a uma carteira de identificação especial. A Carteira de Identificação do Autista (CIA) contém o endereço, nome do responsável e o telefone para facilitar a identificação e contato com a família e/ou responsável.

Programação na Funad

Para lembrar a data, a Funad elaborou uma programação especial, que teve início nesta segunda-feira (1º), com um evento especial na sede do órgão, em João Pessoa. Será instalado o “mundo do circo” no no pátio externo e no ginásio da instituição. A trupe vai apresentar espetáculos de malabarismo, equilibrismo, contorcionismo, acrobacia e palhaços.

Segundo Ericka Gonçalves, coordenadora do Serviço Especializado em Reabilitação do Autismo (SERI) da Funad, o circo e suas atividades são instrumentos importantes no processo de reabilitação do autista, porque promovem todos os estímulos sensoriais, desde a expressão corporal, circuito, interação e comunicação, usando a magia, as cores, as luzes e os movimentos dessa arte em benefício do tratamento.

A ideia, segundo Ericka Gonçalves, é despertar um olhar mais atencioso em torno do transtorno, o processo de reabilitação e como a sociedade pode conviver com a pessoa com autismo, visando a inclusão dela.

Uma perspectiva diferente que atrai a pessoa com autismo, por ser lúdica e assim uma aliada nesse processo de desordem sensorial tão comum nesse transtorno. Outra atividade nesse dia será a equoterapia, realizada em parceria com a Polícia Militar.

Outro momento da semana do autismo da Funad acontece nesta quarta-feira (03) no auditório Jimmy Queiroga. Durante toda a manhã, as atenções serão voltadas para a parte científica, com o Seminário Tecnologia Assistiva com as Intervenção com a Pessoa com TEA.

A programação será encerrada na sexta-feira (05), com o Cine Debate, abordando a temática da pessoa com autismo, pela manhã e tarde, no auditório Antônio Paulino, da Funad.

Programação em João Pessoa

A Prefeitura de João Pessoa iniciou na segunda-feira uma programação especial para lembrar a data, que segue nesta terça-feira com uma exposição no Centro Universitário de João Pessoa (Unipê), com um stand com informações sobre os serviços da PMJP, das 8h às 17h.

O secretário de Desenvolvimento Social, Diego Tavares, destaca a importância do evento. “É um evento de conscientização sobre o autismo e alerta à população para os sinais e como procurar os serviços especializados”, diz o gestor. Segundo ele, também é um momento de apresentação e discussão dos serviços de inclusão oferecidos pela administração municipal às pessoas com autismo e deficiências.

Programação em Campina

Em Campina Grande, o Instituto Brenda Pinheiro (IBP), através do projeto AMA – Amigos do Autista, vai disponibilizar profissionais nesta terça-feira, na Praça da Bandeira, no centro de Campina Grande, para orientar a população, tirar dúvidas e promover esclarecimentos sobre o autismo e as terapias utilizadas no tratamento de indivíduos com TEA.

A partir das 7h30 até as 17h30, a entidade irá disponibilizar profissionais como Psicóloga, Psicopedagoga, Fonoaudióloga, Terapeuta Ocupacional e Assistentes Terapêuticos que irão estar em uma estrutura montada pelo IBP – AMA recebendo as famílias e as pessoas interessadas no tema. Na ocasião, serão distribuídos folhetos informativos sobre o autismo, sobre a legislação que garante direitos a crianças autistas no Brasil e como os pais podem identificar se uma criança tem características que indiquem autismo.

Além desta atividade na Praça da Bandeira, nos dias 03 e 06 de abril acontecerão outras ações para alertar as pessoas a respeito desse tema, no Teatro Facisa e no Instituto Brenda Pinheiro. Na manhã da quarta-feira , das 08h às 11h acontecerá no Teatro Facisa, no bairro Itararé, uma Mesa Redonda sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA), aberta ao público.

No sábado (06), o Instituto Brenda Pinheiro convida toda a população para participar da capacitação em Estratégias Curriculares para a Inclusão de Alunos Autistas, que será realizada no auditório da Unimed, localizado na rua Clailton Ismael, Nº 40 no bairro Lauritzen na cidade de Campina Grande.