‘Pérolas’ recheiam discursos na Assembleia Legislativa

 Deputados usam e abusam de neologismos, palavras de efeito e até frases inteiras sem sentido em discursos legislativos. 

“O mimetismo é uma singularidade de animais, notadamente de alguns répteis que para se camuflar mudam a cor como um camaleão, e passam a ser da cor do seu alvo”. O trecho extraído de um discurso do deputado estadual Ricardo Barbosa (PSB) mostra que acompanhar as sessões na Assembleia Legislativa pode enriquecer o vocabulário de qualquer um. Porém, o contrário também pode acontecer. Adeptos de discursos impactantes, os parlamentares paraibanos também criam expressões e lapidam verdadeiras ‘pérolas’.

Carregados de neologismos e frases sem sentido, alguns discursos chegam a arrancar risadas dos presentes nas sessões e nas galerias do Legislativo. Para decifrar alguns discursos às vezes é necessário, inclusive, o auxílio de um dicionário. Ricardo Barbosa não gosta de passar despercebido, até usa ternos com cores berrantes, e o mesmo acontece com seus discursos. Com entonação firme e postura impecável, sempre que ocupa a tribuna, o parlamentar utiliza palavras pouco habituais no cotidiano. “Por fim, poder-se-á aproveitar da produção futura da supramencionada fábrica”, disse o parlamentar em justificava de um projeto de lei.

Na Câmara Municipal de João Pessoa, Sérgio da Sac (sem partido) é um dos campeões na “criação” de expressões. Da boca do parlamentar já saíram pérolas como “Quem não nasceu, jamais vai crescer”. Em outro momento, o parlamentar fez piada com os chamados feitos pela população ao Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). “Se todo mundo que fosse vomitar, precisar de uma auxilio do Samu… (SIC)”.

Das canções direto para o discurso parlamentar, o termo “sofrência” foi um dos mais utilizados no ano passado por deputados e vereadores para ironizar seus adversários. A mistura de sofrer somado à carência invadiu o discurso dos legisladores e foi proferida pelos vereadores Bira Pereira (PSB) e Dinho (PR), na Câmara de João Pessoa. O primeiro afirmou que o governador Ricardo Coutinho (PSB) vive na sofrência política, enquanto o segundo, utilizou a sofrência para alfinetar seu colega de parlamento e líder da bancada de oposição, Raoni Mendes (PTB). “É uma sofrência, uma dor de cotovelo, ele tinha era que chamar Pablo”, disse.

Pérolas também não faltam nos discursos do deputado estadual João Henrique (DEM). Citado em uma operação da Polícia Federal para investigar a extração ilegal e comercialização da turmalina paraíba que tenderia milhões de dólares, o parlamentar subiu à tribuna e pediu aos bandidos para que não sequestrassem a ele ou a seus familiares por "não ser rico".