Obras de shopping em Intermares devem começar no final de 2019, diz prefeito de Cabedelo

Prefeito disse que está tratando da ‘última etapa’ para começar a obra com o Grupo Marquise.

Empreendimento vai ser erguido às margens da BR-230, na divisa entre Cabedelo e João Pessoa. Foto: Rizemberg Felipe/Arquivo

Anunciado há quase sete anos e envolvido em uma série de polêmicas, o shopping de Intermares deve finalmente começar a ser construído em 2019. A informação foi dada pelo prefeito interino de Cabedelo, Vitor Hugo Casteliano (PRB), nesta sexta-feira (12). Existe uma expectativa de geração de 4,5 mil empregos diretos e indiretos a partir do empreendimento, que vai ser construído pelo Grupo Marquise.

“Estamos vindo de tratativas constantes com o pessoal da Marquise. Se eles não tivessem mais interesse, eles já teriam vindo aqui e teriam dito isso. Estiveram aqui na quarta [10], estivemos com o jurídico da Marquise tratando da última etapa para anunciar a construção do shopping em Intermares”, disse Vitor Hugo em entrevista à rádio CBN João Pessoa.

Segundo o prefeito, alguns pequenos problemas precisam ser resolvidos para que a obra seja iniciada. Ele explicou que a obra de triplicação da BR-230 atinge diretamente o projeto do shopping, por isso a Marquise teve que fazer um projeto alternativo. Existe, inclusive, a previsão da construção de uma passarela no trecho da rodovia em frente ao empreendimento. Ela não está nos planos do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e vai ser construída pela Marquise. “Só que de um lado e do outro são terrenos da prefeitura. O shopping está disposto a construir, mas eu preciso desapropriar e fazer a cessão de uso. São detalhes pequenos, que nós estamos terminando”, pontuou Hugo.

De acordo com o prefeito, restam detalhes para que a obra saia do papel (Foto: Suetoni Souto Maior)

A previsão é de que as obras do shopping durem dois anos. Então se começaram de fato em 2019, vão se esticar até 2021. “São quase R$ 250 milhões de investimentos, 4,5 mil empregos diretos e indiretos para a cidade ,600 iniciais só na construção civil”, disse o prefeito sobre os benefícios que o shopping pode trazer para a economia da cidade.

Procurado pelo JORNAL DA PARAÍBA, o Grupo Marquise disse, através da assessoria de imprensa, que “a construção do shopping depende da aprovação de algumas licenças, assunto que está sendo tratado com a prefeitura e órgãos competentes”.  A empresa disse que a data do início das obras só vai ser definida após esse processo.

Um shopping, muitas polêmicas

Desde que foi anunciado, em setembro de 2012, o Shopping Pátio Intermares foi envolvido em uma série de polêmicas na cidade de Cabedelo.

No mesmo ano do anúncio, o então vereador Leto Viana apresentou duas emendas que mudavam o Código de Zoneamento da cidade e impediam a construção do shopping. Houve uma imensa pressão popular na época. O prefeito José Régis enviou um novo projeto e os vereadores, incluindo Leto mudaram de posição.

No final de 2013, quando Leto Viana já era prefeito, uma nova lei foi aprovada na Câmara de Cabedelo barrando a construção de shoppings no bairro de Intermares. A situação se repetiu, a população pressionou e os vereadores desistiram da norma em 2014. Em abril, a Câmara aprovou uma nova lei, suspendendo os efeitos da anterior. O texto foi sancionado poucos dias depois por Leto. “Nunca fomos, nem seremos, contrários a nenhum empreendimento que venha a contribuir com o desenvolvimento da nossa cidade”, afirmou o então prefeito na época.

Não parou por aí. A obra teve as licenças questionadas pela Associação de Proteção Ambiental (APAM), que alegou que o procedimento de licenciamento não tinha respeitado as fases estabelecidas na legislação, configurando-se, dessa forma, irregular. A denúncia dava conta de que a Sudema havia concedido licença de instalação permitindo que a Construtora Marquise começasse a desmatar e construir o Shopping sem a realização prévia do EIA/RIMA. A denúncia acabou gerando uma liminar do Tribunal de Contas do Estado (TCE) suspendendo a licença de instalação. Em julho de 2015, o TCE, com novo parecer do Ministério Público de Contas, cancelou a decisão que tinha sido emitida pelo conselheiro Fernando Catão.

 

‘Xeque-Mate’

O shopping voltou a ser assunto, fora da pauta econômica, a partir de abril de 2018, quando foi deflagrada a Operação Xeque-Mate. A operação desarticulou um esquema de corrupção em Cabedelo e levou para a cadeia as principais lideranças políticas do município, entre elas o prefeito Leto Viana.

Segundo relatório da Polícia Federal, a liminar do conselheiro do TCE Fernando Catão teria sido dada após pedido do empresário Roberto Santiago, dono dos principais shoppings do estado e que teria interesse em vetar a construção do Grupo Marquise. Diretamente ligado a Leto, Santiago também é acusado de ser o financiador da compra do mandato do prefeito Luceninha, ponto de partida do esquema de corrupção. Santiago está preso desde o dia 22 de março, quando foi deflagrada a terceira etapa da Xeque-Mate.

A suposta atuação irregular por parte de Catão estão sendo investigada em um processo no Superior Tribunal de Justiça (STJ), já que ele tem foro especial por prerrogativa de função.