‘Um mês sem avançarmos e agora mais um vácuo’, diz João sobre saída de Teich

Ministro pediu demissão do cargo após discordâncias com o presidente Bolsonaro.

Foto: Francisco França/Secom-PB
Foto: Francisco França/Secom-PB

Políticos e autoridades em saúde da Paraíba se manifestaram sobre a saída de Nelson Teich do Ministério da Saúde, nesta sexta-feira (15). O governador João Azevêdo (Cidadania) afirmou que não houve avanços neste período, o secretário estadual de Saúde, Geraldo Medeiros disse que este cenário de instabilidade vem exatamente no momento crucial da doença no país e o secretário de Saúde de João Pessoa, Adalberto Fulgêncio, destacou que “há cada mudança diante da guerra que está sendo vivida, as chances de vencer estão cada vez menores”.

“Infelizmente um mês sem avançarmos e agora mais um vácuo que será criado na Gestão da Saúde do país, no pior momento da Crise Sanitária vivida pelo Brasil. Onde iremos parar?”, escreveu João Azevêdo em sua conta no Twitter.

Geraldo Medeiros, que tem tratado de assuntos diretamente ligados ao Ministério da Saúde, pelo fato de responder pela secretaria estadual da mesma área na Paraíba, comentou sobre a sua expectativa de que o novo nome escolhido pelo presidente Jair Bolsonaro possa agilizar algumas demandas, além de estabelecer um diálogo mais aberto com os secretários estaduais.

“Essa instabilidade é muito prejudicial, principalmente num momento crucial como esse, que nós precisamos unir forças na luta contra o novo coronavírus, independente de viés partidário. É fundamental que o Governo Federal, através do Ministério da Saúde, tenha uma interlocução fácil com os secretários estaduais, no sentido de agilizar demandas, atender alguns pleitos e assim seguirmos irmanados neste trabalho”, disse Geraldo Medeiros.

O secretário de Saúde de João Pessoa, Adalberto Fulgêncio, avaliou como “muito ruim” a série de mudanças que estão acontecendo no Ministério da Saúde. O gestor ainda adiantou que aguarda uma definição, inclusive por causa de demandas que o município precisa resolver junto ao Governo Federal.

“Você tem uma pandemia no país e você tem dentro dessa pandemia, desde o dia 1º de fevereiro até agora, você tem dois ministros que são mudados, o último em menos de um mês. Por que é ruim? Porque temos um sistema único, que uma da diretrizes é um comando único. É a mola mestra dos recursos, das orientações, das pactuações, das diretrizes. Em toda guerra que o seu comandante é mudado a cada minuto, a chance de ganhar fica mais complicada. Estamos, por exemplo, com dez leitos no Santa Izabel completos, faltando os respiradores e isso depende de uma articulação com o Ministério. Tudo que é combinado com um ministro, tem que ser revalidado com o outro. Espero que não haja mais atribulações”, pontuou Fulgêncio.

Teich havia substituído Luiz Henrique Mandetta. Assim como o antecessor, Teich também apresentou discordâncias com o presidente Jair Bolsonaro sobre as medidas para combate ao coronavírus. Nos últimos dias, o presidente e Teich tiveram desentendimentos sobre o uso da cloroquina no tratamento da Covid-19 (doença causada pelo vírus). Bolsonaro quer alterar o protocolo do SUS e permitir a aplicação do remédio desde o início do tratamento. O presidente defende uma flexibilização mais imediata e mais ampla.