Bolsonaro não é só incapaz, despreparado. Bolsonaro é um homem mau, perverso

Uma vez, há muitos anos, vi um secretário estadual, aqui na Paraíba, dificultando a divulgação dos números de uma epidemia.

Tomei o episódio como grande aprendizado para o futuro.

Não me surpreendi, portanto, quando, no ano passado, sob Eduardo Pazuello, o Ministério da Saúde passou a atrasar o boletim diário com os números da pandemia do novo coronavírus para que estes não fossem noticiados pelo Jornal Nacional.

Como resposta, foi criado um consórcio de veículos de comunicação e, desde então, os dados têm sido divulgados sem qualquer problema.

Nesta quarta-feira (24), o Ministério da Saúde lançou mão de um expediente para mascarar o número de mortos, mas, às primeiras reações, teve que recuar.

Nesta mesma quarta-feira, testemunhamos outros fatos interessantes:

  • O presidente Jair Bolsonaro reuniu o presidente da Câmara, o presidente do Senado e governadores aliados para anunciar a criação de um comitê anticovid.
  • O novo ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, fez um discurso cheio de boa intenções.
  • O presidente da Câmara, Arthur Lira, acendeu a luz amarela do impeachment num pronunciamento na Câmara.
  • E o Brasil alcançou a trágica marca dos 300 mil mortos pela Covid-19.

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A tragédia brasileira é sanitária e política.

Ninguém, com algum bom senso, explicará porque o presidente da República deixou de liderar, há um ano, uma grande ação nacional de combate à pandemia para assumir uma estúpida postura negacionista.

Até o governador João Doria, que não é flor que se cheire, fez isso em São Paulo.

Ninguém, com algum bom senso, acreditará que, agora, quando não mais enxergamos qualquer luz no fim do túnel, o presidente tenha se transformado num outro homem.

Bolsonaro sempre será Bolsonaro.

Como o escorpião daquela fábula – lembram?

Bolsonaro não é só um político incapaz, despreparado, tosco, grosseiro.

Bolsonaro é, fundamentalmente, um homem mau, perverso, debochado.

Tristemente, tragicamente, os brasileiros o escolheram para ser presidente.

Até quando estaremos nas suas mãos?