O Brasil tem um presidente que se identifica com o neonazismo? Cabe a pergunta?

Quando eu era menino, minha mãe me levava para ver a parada de 7 de setembro. Ainda era na Lagoa.

Lembro de um momento que arrancava muitos aplausos do público: a passagem do pelotão dos ex-combatentes.

Havia neles – e em quem os aplaudia – o orgulho de que eram homens que lutaram contra o nazifascismo.

Isso é uma lembrança da segunda metade da década de 1960. Eu era um menino de sete, oito anos.

Vivíamos sob uma ditadura militar, mas nem mesmo essa ditadura ousava assumir uma posição a favor do nazifascismo.

Se havia, ficava guardada nos quarteis.

Aqueles ex-combatentes desfilavam junto com as tropas militares, geralmente, se não estou enganado, no final da parada da Independência.

Eram homens que tinham, àquela altura, mais de 40 e menos de 60 anos.

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Muito bem. O tempo passou.

Lá se vão mais de 50 anos desde as paradas de 7 de setembro que vi na minha infância.

O Brasil viveu sob a ditadura militar por 21 anos.

Faz 36 que os civis reassumiram o poder.

Nesta segunda-feira (26), vi uma foto que me entristeceu.

Nela, o presidente Jair Bolsonaro aparece sorridente ao lado de uma congressista alemã.

Sim. Mas não uma congressista qualquer.

É uma parlamentar de ultradireita, identificada com o neonazismo.

A comunidade judaica brasileira reagiu duramente. Até grupos que estão com Bolsonaro assim reagiram.

Claro. A ditadura é sempre pior – costumo dizer. Bem ou mal, ainda estamos numa democracia.

Mas é melancólico termos um presidente que não se constrange em aparecer ao lado de uma congressista alemã identificada com as forças neonazistas.

Temos um presidente neonazista?

Cabe a pergunta?