Angélica Nunes
Laerte Cerqueira

Prefeitos da Paraíba distorcem conceito de ‘linha de frente’ e querem furar a fila da vacina

Por ANGÉLICA NUNES

 

Os prefeitos da Paraíba, através da Federação das Associações de Municípios da Paraíba (Famup), iniciaram um movimento para serem incluídos como grupo prioritário da vacinação contra covid-19. A entidade vai buscar o apoio da Confederação Nacional dos Municípios (CNM) nesse processo junto ao Ministério da Saúde.

A lógica deles é que os gestores municipais estariam na ‘linha de frente’ no combate à pandemia, assim como os profissionais da saúde que têm atuado diretamente no tratamento de pessoas sequeladas pelo coronavírus.

Atualmente o Plano Nacional de Imunização está vacinando os idosos com mais de 60 anos. Em seguida, deverão ser priorizados os professores e as forças de segurança, bem como as pessoas com comorbidade (diabetes, hipertensão etc). Caso o pleito dos prefeitos seja atendido, eles seriam equiparados a estes grupos prioritários.

A justificativa do presidente da FAMUP, George Coelho, é de que os prefeitos estão trabalhando diuturnamente no combate à covid-19, nas ruas, nos hospitais, em viagens em busca de recursos para os municípios, colocando as máquinas municipais para funcionar, inclusive garantindo todo o processo de vacinação, mesmo com risco de morte.

“Sabemos da importância de serem vacinados os profissionais da educação, da segurança, as pessoas doentes. Apenas lutamos para que os prefeitos também façam parte desse grupo pelo importante trabalho que desempenham. Não dá mais para ver tantos gestores perderem a vida para esse vírus”, afirmou.

 

Eleições

 

Outro argumento do presidente da Famup é o de que, por estarem presencialmente na linha de frente do combate à pandemia, os riscos de morte afetaria o resultado das Eleições de 2020. “A democracia fica comprometida pela morte dos prefeitos escolhidos pelo povo”, disse.

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Geroge Coelho lembra que pelo menos quatro gestores já perderam a vida em decorrência da covid-19 na Paraíba. Na lista das vítimas, está o mais recente, Jorge Luiz (PDT), o Jorge do Povão, de Pitimbu; além de Chaguinha, de Coremas, também eleita no ano passado; e Zenóbio Toscano, de Guarabira, e Manoel da Lenha, de Ingá, que morreram antes.

“Muitos podem dizer que os prefeitos são responsáveis pela disseminação do vírus por conta do processo eleitoral, mas isso não é verdade. Vale lembrar que lutamos para que as eleições fossem adiadas no Brasil”, destacou.

 

Prioridades

 

O impacto do pedido, de fato, seria pequeno. Segundo a Famup, dos 223 prefeitos eleitos, 31 anos têm mais de 60 anos e estão com a vacinação já assegurada. Restariam apenas 192 gestores municipais a serem imunizados. Isso se os vice-prefeitos, secretários e outros auxiliares não ‘puxarem a corda para também tentarem ser vacinados.

Há uma ansiedade pelo temor de contaminação pela covid-19, que tem vindo mais agressiva e matado muito mais gente. Os dados de março estão aí como alerta máximo para o risco por que estamos todos passando, mas é preciso prudência enquanto não há imunizantes suficientes para uma vacinação em massa, para que pessoas ‘mais frágeis’ não acabem ficando de fora do processo.