Angélica Nunes
Laerte Cerqueira

Aguinaldo e Daniella Ribeiro agem como se estivessem se afastando do “bolsonarismo”

Esta semana, a senadora Daniella Ribeiro (PP) votou contra projeto do governo e o irmão, o deputado federal Aguinaldo Ribeiro (PP), fez críticas duras a Paulo Guedes.

Foto: Divulgação/Facebook

Eles nunca foram bolsonaristas declarados, mas, parlamentares que transitavam entre a base governista, quando defendiam pautas reformistas do Planalto, e a suposta “independência”.  Não parece mais assim.

Pode ser só decisão de momento (de momentos), retórica ou, de fato, um movimento de afastamento do bolsonarismo. Essa última opção é um caminho que a família Ribeiro, aparentemente, está traçando.

Esta semana, a senadora Daniella Ribeiro (PP) não contou conversa e votou contra o projeto defendido pelos governistas: a minirreforma trabalhista. Tudo bem que as emendas feitas pelos deputados federais à Medida Provisória do governo, aprovada na Câmara, eram uma aberração, um rasteira nas leis do trabalho, segundo especialistas. Mas não deixou der ser um posicionamento forte.

Foto: Jane de Araújo/Agência Senado

O partido da senadora comanda a Câmara dos Deputados, com Arthur Lira, e o chefe da Casa Civil, Ciro Nogueira, é a sustentação política do governo. Ambos eram a favor do projeto.

Em entrevista à imprensa paraibana, esta semana, criticou a política econômica do governo Bolsonaro, com os constantes aumentos, que atingem quase todos. “A inflação veio com tudo e está absurda”, afirmou.

Críticas duras a Paulo Guedes e ao governo 

O deputado federal Aguinaldo Ribeiro (PP) partiu para crítica aberta. Em entrevistas, durante a semana, bateu duramente no governo. Ao jornalista Maurílio Júnior, disse que o ministro da Economia, Paulo Guedes, relativiza muito as coisas.

“Por exemplo, quando tem um aumento de combustível, ou de energia, como foi dito agora, ele diz o que é que tem esse ‘aumentozinho’ de energia elétrica. Isso é desconhecimento, sobretudo, sobre o cidadão que mais necessita e que representa a maioria da pirâmide social brasileira. Faltou ao Ministro da Economia apresentar ao país um projeto que possa, não só garantir que tenhamos estabilidade econômica, mas que se possa pensar no pós- pandemia”, cravou.

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Numa rede social, ontem (03), atirou na reforma do Imposto de Renda. O parlamentar afirmou que não se pode tratar um tema tão relevante com “tamanha irresponsabilidade. A dimensão tributária é hoje um dos principais entraves à competitividade das empresas brasileiras”. Também disse:

A aprovação da proposta do IR representa a combinação da mediocridade, insensatez, vaidade e falta de espírito público. Nesse momento, é preciso que o bom senso e o compromisso com o país prevaleçam, afirmou.

Aguinaldo foi relator da reforma tributária e a apresentou à Casa. Mas o texto foi desconfigurado pelo Ministério da Economia, com aval do presidente da Câmara, que é do mesmo partido do paraibano, mas de uma outra ala.

Voto impresso

Na votação do projeto do voto impresso, outra pauta importante do governo, Aguinaldo afirmou que não conseguiu votar remotamente, mas pediu a palavra para dizer que era contra o projeto.

“Eu que sou defensor da democracia, nós assistimos a 13 eleições gerais e municipais, sem nenhuma comprovação de fraudes. Eu quero aqui externar a minha posição […] devemos gastar nossa energia no combate a pandemia, no pós pandemia”, afirmou.

Eleições 

O distanciamento do bolsonarismo tem base na realidade eleitoral. Bolsonaro demonstra incompetência e não deve fazer mais para reverter a imagem. A economia patina e Paulo Guedes tenta se equilibrar. O setor produtivo cansou da criação de guerras e inimigos ocultos e sonha com um tempo de estabilidade.

Na Paraíba, o link com o presidente já não provoca mais ondas eleitorais. Talvez algumas mariolas. E, para completar, Aguinaldo quer espaço na chapa de João Azevêdo (Cidadania), um anti-bolsonarista declarado.

É continuar observando.