Angélica Nunes
Laerte Cerqueira

Bolsonaro faz ameaças golpistas e ataca Supremo em discursos para apoiadores

Em São Paulo, na manifestação deste 7 de setembro, disse que jamais será preso e só deixa o poder morto ou se Deus quiser.

Bolsonaro discursando em Brasília. Reprodução/Rede Social

Quem achou que o presidente Jair Bolsonaro iria recuar, dialogar e procurar soluções diplomáticas para a crises institucionais do país, mais uma vez, enganou-se. Ele faz questão de ser o combustível da crise.

Neste  7 de setembro, quando convocou seus apoiadores a irem às ruas, montou, outra vez, o ambiente para fazer ameaças golpistas, atacou o Supremo Tribunal Federal, as decisões de ministros e o sistema eleitoral brasileiro.

Não podemos continuar aceitando que uma pessoa específica da região dos três poderes continue barbarizando a nossa população. Não podemos aceitar mais prisões políticas no nosso Brasil. Ou o chefe desse poder enquadra o seu ou esse poder pode sofrer aquilo que nós não queremos, disse.

Em Brasília, afirmou que a manifestação foi um “comunicado”, um “ultimato” para os chefes dos poderes da República: “Esse retrato que estamos vendo nesse dia não é de mim nem ninguém em cima desse carro de vocês. Esse retrato é de vocês. É um comunicado, é um ultimato para todos que estão na Praça dos Três Poderes, inclusive eu presidente da República, para onde devemos ir.”

Nas palavras de Bolsonaro, “o Supremo Tribunal Federal perdeu as condições mínimas de continuar dentro daquele tribunal”.

Também intimidou Luís Roberto Barroso, resgatando o debate do voto impresso. Pauta que já foi derrubada pela Câmara dos Deputados. Candidato à reeleição, mentiu mais uma vez quando disse que o processo eleitoral é decidido em uma sala com duas pessoas.

Bolsonaro interpreta a Constituição a partir do seu ponto de vista e ameaça quem não concorda com ele. A democracia que defendeu nos discursos é a que ele faz as regras. Personaliza o debate, com se não fosse um ataque às instituições como um todo.

Nesta terça-feira, conseguiu mobilizar a base que ainda resta, que ele chama de “povo brasileiro”. E não mandou recado. Não há mais subterfúgios. O presidente quer se perpetuar no poder de qualquer maneira. Quer dar um golpe. Basta saber como o “povo brasileiro” (aquela que não é do presidente) vai absorver as ameaças e até quando vai aguentar os problemas reais: inflação alta, desemprego, economia fraca, falta de projetos para o país.

Ministros 

Nas redes sociais, Moraes escreveu: “Nesse Sete de Setembro, comemoramos nossa Independência, que garantiu nossa Liberdade e que somente se fortalece com absoluto respeito à Democracia”.

Luís Roberto Barroso afirmou: “Brasil, uma paixão. Brancos, negros e indígenas. Civis e militares. Liberais, conservadores e progressistas. Desde 88, a vontade do povo: Collor, FHC, Lula, Dilma e Bolsonaro. Eleições livres, limpas e seguras. O amor ao Brasil e à democracia nos une. Sem volta ao passado.

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