Angélica Nunes
Laerte Cerqueira

Com ou sem intenção, Veneziano parece se movimentar para ocupar um espaço vazio

Aliado do governador (pelo menos, até agora), com a esposa secretária de Estado, Ana Cláudia (Podemos), passou a ser visto com um possível pré-candidato ao governo contra Azevêdo.

Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

Há alguns meses, o ex-prefeito de Campina Grande, Romero Rodrigues (PSD), era o nome que agregava boa parte da oposição ao governador João Azevêdo (Cidadania). Era “o” nome dos bolsonaristas cegos, passando pelos moderados, até a centro-direita.

Todos colocariam as apostas nele. E, claro, tinha a simpatia dos que divergem da atuação do atual gestor estadual. Mas não é mais assim.

O cenário ao redor dele ficou embaçado e Romero parece ter perdido essa imagem de principal nome da oposição. Há quem diga que vai recuperar. Por enquanto é, mas não parece ser. O que é um problema para quem tem as pretensões dele.

O ex-prefeito da capital, Luciano Cartaxo (PV), até ensaiou ganhar esse espaço, mas falta “gente” para reverberar. Está com uma base, aparentemente, desarticulada e não conseguiu se fincar nesse espaço vazio: o de um líder da oposição paraibana, com condições de agregar mais, e fazer frente ao projeto de reeleição de João. Um nome mais à esquerda. Talvez no PT, com apoio, possa encontrar esse caminho, com a conveniência política compulsória característica dos períodos eleitorais.

Mas, nos últimos dias, quem parece se movimentar, para ocupar esse vácuo,  intencionalmente ou não, é o senador Veneziano Vital (MDB), vice-presidente do Senado.

Aliado do governador (pelo menos, até agora), com a esposa secretária de Estado, Ana Cláudia (Podemos), passou a ser visto com um possível pré-candidato ao governo contra Azevêdo. O rompimento entre eles volta e meia está no palco da política estadual. Ele nega, mas há quem percebeu que alimentar esse confronto pode dar frutos.

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Os deslocamentos e posicionamentos dos últimos dias estão mantendo-o no imaginário de quem busca desesperadamente por um “líder”, com grupo e força política, para fazer frente ao governador nas urnas.

Intencionalmente ou não, repito, Veneziano não para. Conversou com Lula e recebeu todos os elogios, recentemente; teria tido um encontro com Cássio (lá atrás), em Brasília; afagou o filho do ex-senador, Pedro Cunha Lima (PSDB), essa semana, no interior.

E ainda, nunca nega veementemente uma possível candidatura. Reforçou a tese de desrespeito ao grupo dele, quando a esposa deixou um evento governista, semana passada. A brasa continua acesa e ninguém apagou.

É o nome viável que consegue circular bem na centro-esquerda, “esquerda”, afinal foi eleito pelo PSB. O que Vené perde com essas especulações e movimentos? Nada. Só se fortalece.

Se resolver ficar na base, vai ser por um bom motivo. Se sair, será o candidato da oposição. Larga na vantagem dos outros porque não tem risco de ficar sem mandato. Pode até perder a disputa em 2022 e virará “o nome” da oposição.

Aliados do governador já perceberam o movimento. Quem alimenta a ideia de Veneziano candidato argumenta que é uma disputa possível e alicerce para o futuro. O momento seria esse. Veneziano já percebeu.