Angélica Nunes
Laerte Cerqueira

No PSD, Pacheco será anunciado com o pré-candidato à presidência contra os “extremos”

No fim de semana, Pacheco foi lançado, extraoficialmente, como pré-candidato à presidência da República pelo próprio presidente do partido, Gilberto Kassab, em evento no Rio de Janeiro.

Rodrigo Pacheco, Ângelo Coronel, Eduardo Paes, Gilberto Kassab, Carlos Fávaro e Nelson Trad durante evento no Rio de Janeiro. Foto: PSD
Rodrigo Pacheco, Ângelo Coronel, Eduardo Paes, Gilberto Kassab, Carlos Fávaro e Nelson Trad durante evento no Rio de Janeiro. Foto: PSD

Esta semana será gestada, oficialmente, uma novidade no cenário político nacional para as eleições de 2022. Por enquanto, não é capaz de mexer com a polarização consolidada Lula versus Bolsonaro mas, ao menos, é uma definição.

Falamos do presidente Rodrigo Pacheco, que deixa o DEM para se filiar ao PSD e construir uma candidatura à presidência contra os “extremos”. Foi o que disseram os novos colegas de partidos em evento no Rio de Janeiro, no último fim de semana.

Na ocasião, Pacheco foi lançado, extraoficialmente, como pré-candidato à presidência da República pelo próprio presidente do partido, Gilberto Kassab, que articulou a filiação.

Rodrigo mostrou que tem talento e sabedoria para a vida pública. Se Deus quiser ele é o próximo presidente do Brasil. O PSD está pronto para abraçar suas propostas, afirmou Kassab.

Quem também colocou lenha na fogueira foi o novo psdebista, prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes. Na linha de condenação aos extremos, disse que “O cara pensa: ‘Vou votar no capeta ou no coisa ruim?’ Não dá. A política precisa mostrar alternativas. Você está sendo convocado a disputar a Presidência da República pelo PSD”.

No discurso, Pacheco já mostrou para onde vai apontar, neste momento. Criticou o governo Bolsonaro e a forma que será implantado o novo Bolsa Família: rompendo o teto de gastos públicos.

É perfeitamente possível equilibrar a necessidade que as pessoas têm de uma mínima capacidade de compra com a responsabilidade fiscal. É obrigação dos técnicos, cientistas econômicos, políticos darmos a solução imediatamente ao povo brasileiro de ter um programa social dentro da responsabilidade fiscal, disse Pacheco.

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Crítica de Bolsonaro

Ciente que já ganhou um adversário, o presidente Jair Bolsonaro criticou a postura de Pacheco, quando participou da inauguração do último trecho do Eixo Norte da Transposição do Rio São Francisco, no Sertão da Paraíba. Para Bolsonaro, Pacheco, diferentemente de Arthur Lira (PP-AL), tem colocado obstáculo nos projetos do governo. O próprio Lira já criticou o colega, por demorar a colocar em votação projetos que passam, rapidamente, na Câmara.

Perfil moderado

Para muitos, o presidente do Senado tem um perfil moderado e cara “de bom moço”. O ideal para esse momento bélico. Pode atrair os que “correm” de Lula e Bolsonaro, pelo menos 25% do eleitorado, dizem as pesquisas. Vai para um partido de centro, que, para muitos “nem é carne nem é peixe”, mas pode ser o que precisar, de acordo com a conjuntura política.

A questão é saber se terá força política e capacidade de penetração dos rincões do país para disputar contra o Lula, conhecido, e um Bolsonaro cada vez mais populista. Os marqueteiros, em breve, entram em ação.

A filiação de Pacheco

O PSD vai filiar o presidente do Senado, oficialmente, quarta-feira (27), no Memorial JK, em Brasília. O evento deve ter a presença do presidente da legenda na Paraíba, Romero Rodrigues, que é pressionado pelo PSDB a se definir sobre eventual candidatura ao governo do estado no campo das oposições. O partido comanda a segunda maior cidade do estado, Campina Grande, com Bruno Cunha Lima (PSD).