Angélica Nunes
Laerte Cerqueira

Duplicação da BR-230 entre CG e o Sertão é um sonho e triplicação em Cabedelo um “pesadelo”

Mesmo destacando a importância da iniciativa é preciso perguntar: o que aconteceu com a obra de triplicação desta mesma BR-230, entre Cabedelo e João Pessoa? Quando será concluída? Será?

Foto: Dnit

Parlamentares paraibanos e entidades  se juntaram nesta sexta-feira (05) para fazer barulho e pedir a duplicação da BR-230 entre Campina Grande e, por enquanto, a Praça do “Meio do Mundo”.

Nao há dúvida da importância, da necessidade econômica, social e política da intervenção. Sem falar na segurança que iria trazer para os viajantes. Ninguém retira o mérito dessa luta, que passa por pressão em Brasília nos ministérios e vai até destinação de emendas.

A obra, a preço de hoje, com essa bagunça orçamentária do governo federal, só sai do papel com pressão parlamentar para liberação de emendas impositivas ou, se tiver na cota das emendas do relator, orçamento secreto do governo feito para beneficiar quem apoia o Planalto. São mais de R$ 450 milhões.

Mas já vimos esse filme.

Mesmo destacando a importância da iniciativa é necessário perguntar: o que aconteceu com a obra de triplicação desta mesma BR-230 entre Cabedelo e João Pessoa? Quando será concluída? Será concluída?

Como no pleito atual, na luta pela “triplicação” teve de tudo: união parlamentar, muita emenda, apoio dos governos municipais, muita propaganda.

Começou entre 2016 e 2017, parou em 2019, recomeçou recentemente, depois de um convênio para o Exército adaptar o projeto. A liberação foi de uma parte dos recursos. De lá para cá, muitos aditivos. Ou será melhor dizer prejuízos?

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A ação entre CG e o Sertão é um sonho. Mas temos um “pesadelo” real na região metropolitana. A construção estava orçada inicialmente em mais de R$ 255 milhões. Ela deveria se estender por cerca de 28 km e, além da triplicação, previa-se a construção de 13 viadutos.

O projeto previa ainda novas faixas e a construção de 14 passarelas para pedestres. Com o alargamento da rodovia, os viadutos de Manaíra, UFPB e Cristo  seriam ampliados para acomodar as novas faixas. Tudo lindo até o Oitizeiro. Tudo lindo no papel.

Atualmente, são quatro viadutos em Cabedelo. A obra ainda não chegou efetivamente em João Pessoa e a promessa é de redução de mais de 50% do prometido.

Os viadutos que saíram depois de muita pressão, para economizar, foram feitos com paredões de péssimo gosto e economia duvidosa. A faixa extra na pista e nas vias marginais saíram lentamente. O projeto, pelo que foi divulgado, já não é o que foi pensado.

Enfim, temos uma obra sonhada e uma outra “perdida no meio do mundo”.