Angélica Nunes
Laerte Cerqueira

Opinião: cegueira ideológica corrói a inteligência dos vereadores de Campina Grande

Câmara derrubou a exigência do passaporte da vacina. Se o projeto for sancionado, governo da Paraíba pode entrar na Justiça para derrubar.

Foto: CMCG

É como “paixão” cega. Sempre há uma justificativa para explicar loucuras. Alguns vereadores de Campina Grande encontraram as suas.

Nesse caso, com base numa cegueira ideológica que parece corroer a racionalidade e a inteligência dos parlamentares da Rainha da Boborema. Não todos. Os que votaram para derrubar o passaporte da vacina.

Vamos repetir: o direito individual não se sobrepõe ao coletivo. E não tem nada a ver com tolher liberdade ou criminalizar o cidadão, como alegaram alguns.

Estamos numa pandemia e regras para proteger a coletividade são impostas contra arroubos individualistas. Tem que ser. Nesse caso, não há sacrifício.

Se o passaporte não faz bem para alguns poucos que não se vacinaram e não estão preocupados consigo e com os outros, mal não faz.

Os mesmos que são contra o passaporte agora, um dia desses reclamavam das restrições, diminuição do horário de funcionamento dos estabelecimentos. Aí basta, por algum motivo incerto, aumentar o número de casos, para diminuir as flexibilizações e eles também reclamarem. Seguem um líder que gera anomalias sociais. Se tornam a própria anomalia.

O passaporte prejudica a quem? Ninguém. Protege o comércio e o comerciante; protege o consumidor e o trabalhador; cria uma barreira a mais para circulação do vírus. Ou seja, nao há custo. Não paga. É de graça. Só basta estar com celular, colocar o papel na carteira.

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Quem não se vacinou que pague por sua decisão individual. Numa sociedade é assim.

Quanto menos contaminados, mesmo em grau leve, mais produtividade, menos atestados, menos internações, gastos públicos com saúde ou com profissionais.

Para registrar, votaram contra a proposta: Jô Oliveira, Dona Oliveira, Ivonete Ludgério e Anderson Almeida.

Estado tem que derrubar

O prefeito Bruno Cunha Lima (PSD) pode derrubar esse desserviço dos vereadores campinenses. Uma grupo que, por sinal, com exceções, Campina não merecia. Campina é vanguarda e as últimas decisões sobre os debates na Casa, sobre as votações, colocam-nos no século passado. Repito, tirando as exceções.

Se o prefeito sancionar, a “racionalidade campinense” espera que o estado entre com uma ação para que a lei estadual do “passaporte da vacina” se imponha a essa aberração desnecessária. A Justiça tem confirmado que é melhor pecar por excesso do que por falta. Campina é referência para dezenas de cidades e é lá que vão desaguar todos os males.

Esse desserviço com argumentos individualistas simula liberdade coletiva. Liberdade só é boa com proteção e o que os parlamentares de Campina estão fazendo é tentando tirar uma das barreiras de proteção usadas pelo mundo inteiro. Para proteger e, de fato, permitir que a liberdade sadia seja garantida.

Agora, podem aprovar um voto de repúdio. Depois dessa de hoje, qual a credibilidade do grupo? Pra nós, nenhuma.