“Estamos diante da maior tragédia sanitária da história do nosso país”, desabafa secretário de Saúde da Paraíba

Secretário de Saúde da Paraíba, Geraldo Medeiros

O secretário de Saúde do Estado, Geraldo Medeiros, que está há um ano comandando o combate ao coronavírus na Paraíba, desabafou sobre o momento que vive. Vendo pessoas, alguns amigos, morrerem. Com nomes e números frios a cada boletim.

No texto, Medeiros diz que “estamos diante da maior tragédia sanitária da história do nosso país”. Destaca que jamais o povo brasileiro deveria permitir que um tema de saúde pública se configurasse como uma disputa política, com grupos sectários de ambos os lados.

“Seria o momento de estarmos unidos, tendo um único pensamento, salvar vidas de brasileiros, indistintamente do nível sócio econômico, principalmente dos nossos idosos, que representam a maioria dos mortos”, conclamou.

O médico afirma que é uma realidade de discussões inúteis, acirradas em redes sociais,  com abandono da ciência, idolatria a drogas que não servem para nada, condenação ao isolamento social em momentos cruciais. E continuou:

“Desprezamos as máscaras, realizamos eleições atemporais, insistimos em minimizar o novo coronavírus, falhamos na aquisição precoce das vacinas, investimos parcos recursos na Atenção Primária à Saúde e na nossa malha hospitalar ao longo dos anos, associados a má aplicação e manutenção”.

Medeiros fala em união e diz que é preciso reconhecer com humildade os erros, acalmar os ânimos e se unir com a chegada de um novo Ministro (Marcelo Queiroga), contribuindo com ele, com todos os entes federados, em conjunção.

No texto, ele ressalta que não se pode acreditar na ilusão da ampliação de leitos.

“São métodos paliativos de gestão. Aos familiares daqueles que se foram e pereceram, precocemente, a certeza de muitas mortes evitáveis e a tristeza, a saudade e o choro copioso dos que ficam. Um ano que se foi e nunca esqueceremos”, lamentou.

Não é para menos, como disse uma amiga hoje (17): “tudo muito desgastante, muito esforço, muita energia pra tentar minimizar os danos, o sofrimento das pessoas, mas parece que a gente fala pras paredes. E o povo está ignorando solenemente.