Opinião: na Paraíba, número de assassinatos caiu, mas a insegurança é altíssima

Não é simples. Segurança e combate a insegurança são questões complexas. Mas se o Estado não demonstrar controle, como ficaremos? 

Os dados divulgados pelo Monitor da Violência, esta semana, revelaram que a Paraíba apresentou, no primeiro semestre de 2023, a segunda maior redução de assassinatos do país, em relação ao mesmo período de 2022.

A queda foi de 22,4% e deixou o estado atrás apenas de Roraima, com um percentual bem próximo, de 22,5%.

A redução foi comemorada pela área de Segurança do governo do estado e, de fato, os números dão um fôlego ao embate político estimulado pelo número de assassinatos. Bom para argumentar que ações estão sendo executadas e têm “dado resultado”. Mas…

O problema é que o esses “bons” números, com um recorte específico, homicídios, não diminui a insegurança e a sensação de insegurança que estão presentes nas ruas e comunidades das cidades, principalmente nas maiores.

Na Região Metropolitana de João Pessoa, a maior do estado, por exemplo, os bandidos parecem que perderam o medo das ruas, das câmeras, da ação policial.

São arrastões em bairros, como Manaíra; ônibus incendiado, no Padre Zé, roubo de carros, nos Bancários; assaltos constantes, por minuto, de celulares. Bandidos de capacetes em motos rodam a cidade e tocam terror nas paradas de ônibus.

O pior, no caso de celulares, é que a população perdeu a confiança e nem denuncia mais. Sequestros relâmpagos também estão cada vez mais frequentes e vão parar nas redes sociais como um pedido de ajuda.

Em Campina Grande, não tem um dia que os telejornais não mostram ataques em lojas e em casas. Bandidos invadem residências, limpam as gavetas dos comerciantes e não se intimidam mais com os sistemas de segurança com câmera. Alguns mostram a ‘cara’ como se não tivessem medo de ser reconhecido.

Policiais admitem a ousadia dos bandidos e jogam a culpa nas leis brasileiras. Dizem que enxugam gelo, em muitos casos. Prendem e soltam.

Sem falar nas facções criminosas que se enraízam em comunidades vulneráveis. No Jacaré, em Cabedelo, é tiroteio dois dias sim e um não. Sem falar dos registros em Santa Rita, Bayeux…

Claro que as autoridades de segurança conhecem os problemas. Justificam e têm explicações para todos.

A questão é que, no mínimo, a bandidagem não pode se sentir confortável em agir, como está. Alguns, pelo menos, precisam se sentir amedrontados. Atuam como se não não houvesse regras, leis, policiais. Tudo sem pudor.

Não é simples. Segurança e combate a insegurança são questões complexas. Mas, se o Estado não demonstrar mais  controle, como ficaremos?

A realidade não bate com os números e esse é um problema.