João Paulo Medeiros

Em cidade da Paraíba, famílias do Bolsa Família têm sócios ou titulares em 401 empresas

Auditoria da CGU identificou também servidores públicos e estudantes em escolas particulares

Foto: divulgação

Uma auditoria realizada pela Controladoria Geral da União (CGU) constatou indícios de irregularidades no cadastro de dezenas de famílias beneficiadas com o Bolsa Família na cidade de Sapé. Entre os dados que chamam a atenção está o fato de que 379 famílias possuem membros sócios ou titulares em 401 empresas, com sedes na cidade e em outros municípios paraibanos.
Os auditores identificaram que, em pelo menos três casos, os empreendimentos mantêm contratos com o poder público e há suspeita de que elas estariam com renda superior à mínima estipulada pelo programa.

“Constatou-se que, dessas 379 famílias beneficiárias do PBF, três estão compostas por membros que são proprietários de empresas que receberam pagamentos da Prefeitura ou da Câmara Municipal de Sapé, ou do Governo do Estado da Paraíba, durante o período de janeiro a dezembro de 2019, o que indicaria, a partir da consideração desses rendimentos, a possibilidade de uma renda familiar mensal per capita superior a meio salário mínimo, limite estabelecido para a permanência no Programa”, destaca a CGU.

Mas os indícios não param por aí.
O levantamento identificou que 1.174 famílias beneficiárias em Sapé têm pelo menos um membro matriculado em escola particular. 17 possuem pelo menos 3 integrantes.

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Confira o relatório na íntegra
Outras 94 famílias têm, conforme a auditoria, pelo menos um servidor público entre os seus membros – “com indicação de renda mensal per capita superior à permitida para entrada ou permanência no PBF”.

No total, a CGU aponta pagamentos indevidos feitos a 97 famílias cadastradas, o que teria provocado um prejuízo superior a R$ 70 mil entre os meses de janeiro e maio de 2020.

Foto: reprodução

Situação semelhante no Sertão
Uma auditoria semelhante foi feita em Coremas, recentemente. Por lá os auditores identificaram que uma das famílias beneficiadas possuía uma empresa com contratos milionários.
No caso de Sapé a CGU suspeita que muitos beneficiários omitiram informações ou, pelo menos, não atualizaram os cadastros.
Os auditores recomendam uma ‘varredura’ na lista e o bloqueio daqueles que estejam recebendo irregularmente.