João Paulo Medeiros

Caso de Lucena: técnica diz que recebeu ordem de vacinar ‘todas as pessoas’; veja documento

MPF deverá ouvir outros envolvidos e ampliar investigação

MPF investiga se UBS de Lucena vacinou crianças antes da chegada de imunizante adequado para idade. Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

O caso da cidade de Lucena, em que 48 crianças receberam indevidamente doses de vacina contra a covid-19 para adultos – e vencidas – é um completo absurdo. Após um ano desde o início da imunização no país, não há como justificar uma falha grotesca dessa natureza.

É que a distribuição das doses, a aplicação e os procedimentos para evitar erros há tempos são de conhecimento público. Sobretudo daqueles que estão, diretamente, envolvidos com a imunização da população.

Em depoimento ao MPF, a técnica de enfermagem que vacinou as crianças afirmou que teria recebido ordens para vacinar todas as pessoas que estivessem na unidade de saúde.

Ela foi contratada pela prefeitura de Lucena em 22 de novembro de 2021, para auxiliar médicos e vacinar crianças, adolescentes, adultos e gestantes. Mas realizava o trabalho praticamente sozinha, com a ajuda apenas de um motorista e um Agente Comunitário de Saúde – conforme o depoimento.

“A ordem que lhe foi dada foi de que poderia vacinar todos os que estivessem para se vacinar, pois a validade das vacinas da Pfizer estavam para se vencer”, diz o texto do depoimento.

O caso ainda não possui um desfecho. Outras pessoas responsáveis pela imunização em Lucena ainda serão ouvidas pelo MPF.

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O que se sabe, por enquanto, é que a Secretaria de Saúde do Estado promoveu quatro treinamentos para aplicação de doses pediátricas na Paraíba. As equipes de Lucena, segundo a Secretaria, não participaram dos treinamentos.

Em entrevista à TV Cabo Branco o prefeito Léo Bandeira disse que a preocupação agora é com a saúde das crianças que receberam, de forma equivocada, os imunizantes de adultos.

Uma preocupação, aliás, que poderia ter sido reforçada pela gestão antes da aplicação das doses. Os fatos são um péssimo exemplo de, no mínimo, falta de zelo com a saúde pública. Ao MPF caberá a apuração para identificar quem falhou, e feio, nesse processo.