Caso Padre Zé: política da Paraíba treme com caixa de vinho apreendida e semelhanças com a Calvário

A Paraíba voltou a acordar hoje com caixas de vinho apreendidas e imóveis de luxo sendo vasculhados pelo Gaeco e pela polícia. A Operação Indignus apura desvios de recursos públicos e outras fraudes através do Hospital Padre Zé, responsável por um trabalho importantíssimo no atendimento a pessoas humildes na região de João Pessoa.  

O hospital recebe há anos recursos oriundos de emendas parlamentares e do Fundo de Combate à Pobreza do Governo do Estado.

Entre os alvos estão o ex-diretor da unidade, o padre Egídio de Carvalho Neto; e as ex-diretoras Jannyne Dantas (ex-diretora administrativa) e Amanda Duarte (ex-tesoureira). O padre informou que irá se pronunciar posteriormente. As defesas das duas não se manifestaram, por enquanto.

Também foi apreendido em um dos imóveis um fogão avaliado em R$ 80 mil. E existem indícios, segundo o MP, de lavagem de dinheiro e peculato. 

A investigação parte de uma denúncia anônima feita ao Ministério Público e transformada em ‘notícia de fato’. O procedimento foi encaminhado ao Gaeco e à Polícia Civil – órgãos responsáveis pelo aprofundamento das apurações.

E há semelhanças, além do vinho, entre o caso Padre Zé e uma outra famosa investigação realizada em solo paraibano: a Operação Calvário.

É que nas duas situações os desvios investigados teriam ocorrido em áreas essenciais (Saúde e no combate à pobreza) e que atendem pessoas carentes. E o destino do dinheiro, ainda em investigação, também seria parecido. Na Calvário investigou-se, por exemplo, a aquisição de propriedades rurais e de uma mansão em um condomínio de luxo.

Agora vários imóveis são alvos do Gaeco com suspeitas de que poderiam ser produto dos desvios investigados.

Na Calvário vários secretários estaduais, deputados e outros agentes políticos foram citados no decorrer das apurações. No caso Padre Zé já há também citações na ‘notícia de fato’ instaurada pelo MP.

Os citados negam, veementemente, qualquer envolvimento.

A apuração está iniciada. Não é possível, claro, fazer qualquer tipo de juízo de valor sobre os fatos que estão sendo apurados. O curso normal das apurações é que demonstrará novos elementos que possam confirmar, ou não, as denúncias formuladas.

O que é possível dizer, por hora, é que hoje pela manhã a classe política paraibana tremeu ao tomar conhecimento da Operação Indignus. 

Afinal, as caixas de vinho não trazem boas recordações para muitos…

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